Shopping em BH investe em usina de compostagem

Fonte: Diário do Comércio | Autora: Patrícia Santos Dumont | Publicação: 29/09/16

A reutilização tem se tornado um hábito comum na vida moderna. Água, roupa, papel ou plástico, não importa, tudo ganha um novo uso. No âmbito alimentar, com resíduos orgânicos que não têm valor à mesa, não é diferente. Um dos mais tradicionais shoppings de Belo Horizonte, o Diamond Mall, localizado no bairro de Lourdes, na região Centro-Sul da Capital, implantou, recentemente, um sistema para transformar restos de comida em adubo. Além do valor ambiental, o projeto gera economia financeira. Em dois meses, os insumos recolhidos, principalmente na praça de alimentação do centro de compras, viraram 20 toneladas de fertilizante 100% natural. O material é utilizado no paisagismo do estabelecimento e na conservação dos jardins da avenida Olegário Maciel adotados pelo shopping.

Além da contribuição social, a medida, que se soma a outras de caráter ambiental, eliminou os gastos com compra de adubos químicos. Segundo a superintendente do mall, Lívia Paolucci, até o momento não foi preciso adquirir fertilizantes industrializados. No curto e médio prazos, a intenção é de que o material excedente seja doado. “Esse é um processo que só gera ganhos. Para o shopping, que economiza com a compra de adubo, e para o meio ambiente, que deixa de receber uma quantidade considerável de lixo descartada incorretamente”, avalia.

Para estimular a adesão dos lojistas, o Diamond Mall iniciou uma campanha interna e está distribuindo sacolas apropriadas para cada tipo de resíduo. No caso do lixo orgânico, produzido em maior quantidade pelos estabelecimentos da praça de alimentação, o recipiente tem a cor marrom. Além de cascas de frutas e legumes e sobras de comida, borra de café também pode ser descartada e utilizada no processo de compostagem.

Diretor comercial da On Ambiental, empresa contratada para realizar o manejo e o tratamento dos resíduos descartados, Leonardo Augusto de Queiroz Machado explica que o processo leva de 90 a 120 dias para ser concluído até que o adubo esteja pronto para uso. Segundo ele, o processo começa desde o transporte até a usina, instalada na Capital.

“Colocamos os resíduos em um compartimento próprio de forma que os restos de comida permaneçam limpos, sem contato com outros produtos. Acondicionamos em uma caçamba especial e adicionamos um produto que elimina o mau cheiro e acelera o processo de decomposição da matéria orgânica”, detalha. Durante o processo, metade da matéria-prima utilizada se perde, ou seja, para cada 20 toneladas de adubo são necessárias 40 toneladas de resíduos.

De acordo com a superintendente do shopping center, até o momento foram investidos cerca de R$ 250 mil nas ações ambientais, que incluem, ainda, reciclagem de papel, plástico e alumínio, tratamento de esgoto e de óleo de cozinha. O contrato com a On Ambiental tem duração inicial de um ano. Além da transformação de matéria orgânica em adubo, o mall também realiza ações de descontaminação de lâmpadas fluorescentes que são descartadas e o tratamento do esgoto até a chegada à rede municipal. “Estamos satisfeitos com o resultado obtido em dois meses e temos expectativas muito boas para o futuro e para novas ações. Acredito que se preocupar com a questão ambiental seja mais do que simplesmente um papel social das empresas, é responsabilidade de cada um fazer o descarte correto”, afirma.

A ação de reutilização do lixo orgânico rendeu ao DiamondMall o certificado de Tratamento de Resíduos Orgânicos Classe II concedido pela Minas Organic, empresa certificada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Além da matéria orgânica, são recolhidos, por mês, cerca de 12 toneladas de papelão, 800 quilos de latinhas de alumínio e 1,2 tonelada de plástico

Suécia recicla 99% dos resíduos gerados

Fonte: NetResíduos | Publicação: 30/08/2016

A Suécia consegue reciclar 99% dos resíduos sendo que apenas 1% vão para aterro. A elevada taxa de reciclagem é conseguida através da transformação dos resíduos em energia. De acordo com o jornal Global Citizen, das 4,4 milhões de toneladas produzidas por ano, cerca de 2,2 milhões são convertidas em energia via um processo “waste to energy” (WTE).

O processo envolve a queima dos resíduos nas centrais de energia onde o vapor produzido é usado nas turbinas para a produção de electricidade. A eficiência do processo permitiu à Suécia começar a importar resíduos dos países vizinhos, trazendo 800 mil toneladas de resíduos para a produção de electrcidade nas suas 32 instalações espalhadas pelo país.

Em declarações ao Huffington Post Anna-Carin Gripwell, directora de comunicação para a gestão de resíduos no país, defendeu a estratégia adoptada dizendo que “Quando resíduos ficam parados em aterros sanitários, há libertação de gás metano e outros gases de efeito estufa, o que obviamente não é bom para o ambiente”.

85% dos brasileiros não têm acesso à coleta seletiva, mostra estudo

Fonte: Época | Autor: Bruno Calixto | Publicação: 16/06/2016
Se você pode separar o lixo reciclável do lixo orgânico e ter a certeza de que eles vão para o destino correto, você é minoria no Brasil. Um novo estudo encomendado pelo Cempre, o Compromisso Empresarial para a Reciclagem, mostra que quase 170 milhões de brasileiros não são atendidos por coleta seletiva em suas cidades. Estamos muito longe de criar uma economia circular.
Segundo a pesquisa, 1.055 municípios têm programas de coleta seletiva. Como o Brasil tem mais de 5 mil cidades, esse número representa apenas 18% dos municípios. Quando analisamos a quantidade de cidadãos atendidos ou com acesso a algum programa de reciclagem, a porcentagem cai. Só 31 milhões de brasileiros – cerca de 15% da população total do país – podem contar com o “luxo” de separar o lixo. Ou seja, 85% dos brasileiros não têm como destinar resíduos para a reciclagem.

O estudo faz uma análise mais detalhada de 18 cidades do país e mostra outro dado preocupante. Em algumas cidades, a quantidade de material que está sendo reciclado caiu entre 2014 e 2016. O caso de Brasília é um exemplo. A capital federal reciclou 3.700 toneladas de lixo por mês em 2014. Em 2016, esse valor caiu para 2.600 toneladas por mês. Isso acontece principalmente porque o setor de reciclagem também está sofrendo com a crise econômica.

Há também casos positivos. As capitais do Sul – Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba – conseguem atender praticamente 100% dos cidadãos. Outro caso interessante é o Rio de Janeiro. Como a cidade é sede da Olimpíada, ela conseguiu financiamento no BNDES para melhorar a coleta. O resultado aparece nos números. O Rio de Janeiro triplicou a quantidade de toneladas de resíduos destinados para a reciclagem. Mas ainda está longe do ideal – só 65% da cidade é atendida pela coleta seletiva.

Segundo Vitor Bicca, presidente do Cempre, há dados positivos no estudo. O levantamento é feito desde 1994, e a comparação ano a ano mostra que a reciclagem está avançando, apesar de a passos lentos. A partir de 2010, houve um salto importante em quantidade de municípios que reciclam: um aumento de mais de 100%. Isso ocorreu por conta da aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Para Vitor, o que falta agora é um maior engajamento das prefeituras. “O entrave é político, e as prefeituras precisam se engajar mais. Quando a política foi aprovada, o governo federal criou linhas de financiamento para o município fazer o plano de gestão, que é a primeira etapa antes de fechar os lixões ou implantar a coleta seletiva. Mas houve um baixo engajamento dos municípios”, diz.

Uma das formas de pressionar por maior participação das prefeituras é cobrar por políticas de coleta seletiva nas eleições municipais deste ano, já que a coleta é responsabilidade de prefeitos. Para o Cempre, outra forma de pressionar é buscar uma mudança de compreensão sobre a reciclagem. Hoje ela é vista apenas como um processo que faz bem para o meio ambiente. Ele acredita que é preciso conscientizar a população de que também faz sentido do ponto de vista econômico. “O resíduo hoje é um bem econômico. Ele pode voltar para a indústria como novo produto, evitando o uso de matérias-primas.”

Desatando o nó da madeira

Fonte: Projeto Colabora | Autor: Emanuel Alencar | Publicação: 21/08/16

Quando cruza o bairro de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, a Rodovia Washington Luís, uma das mais movimentadas da Região Metropolitana do Rio, é margeada por uma série de empresas ligadas à indústria de reciclagem. Reflexo de anos de funcionamento do famoso aterro, que, embora tenha fechado as portas em 2012, deixou para sempre na região a marca de um setor que movimenta milhões – e continua mergulhado na informalidade. Numa das muitas ruas apertadas, de terra batida, Edilson de Souza Mello, de 50 anos, fincou, há nove anos, um sonho: um centro de beneficiamento e reciclagem de restos de madeira. Vem dando certo. Assim que montou a Chaco-Vaco, em 2009, o empresário processava 300 toneladas por mês. Hoje, 5 mil toneladas/mês vão movimentar caldeiras de indústrias. Um crescimento de 1.500%.

Tenho 46 funcionários, todos com carteira assinada. Muitas trabalhavam no lixão, e foram capacitados. Apesar da crise, não penso em demitir. Infelizmente não temos, ainda, um mercado em expansão da biomassa porque a principal fonte das indústrias ainda é o óleo ou gás natural, altamente poluentes.

Pioneiro da reciclagem de madeira no Rio, Edilson é o maior entusiasta do uso de restos de madeira em caldeiras de indústrias. Mantém 250 pontos de coleta, de onde pega restos de madeira de grandes indústrias e de fábricas de móveis, num raio de 150km de Jardim Gramacho. Identificou uma mina de ouro num material altamente energético que, na maioria das vezes, acaba desperdiçado, enterrado em aterros. Ele conta que encontrou alterativas para driblar a crise – vendeu, recentemente, 80% do negócio para uma recicladora – e que nem passa pela cabeça dos sócios cortar mão de obra.

Tenho 46 funcionários, todos com carteira assinada. Muitas trabalhavam no lixão, e foram capacitados. Apesar da crise, não penso em demitir, pelo contrário – diz, orgulhoso. – Meu principal comprador é a GR Nova Iguaçu, que reaproveita ossos e sebo para fazer sabão e usa a madeira como motor das caldeiras. Firmamos uma parceria e montamos um circuito fechado. Infelizmente não temos, ainda, um mercado em expansão da biomassa porque a principal fonte das indústrias ainda é o óleo ou gás natural, altamente poluentes. Edilson de Souza Mello – Empresário

O “rei da Madeira” calcula que, de imediato, 15 indústrias poderiam ser suas clientes, se adaptassem suas caldeiras ao combustível menos poluente. Se isso acontecesse, faltaria inclusive cavaco – pequenos pedaços de madeira resultantes de uma trituração – para dar conta da demanda.

00

Projeto da Unesp transforma entulho em concreto reciclado

Fonte: MaxPressNET | Autor: Fabiana Manfrim | Publicação: 30/08/16

A Unesp de Presidente Prudente desenvolve projeto que reaproveita o entulho de concreto descartado pela construção civil, e o transforma em concreto reciclado para a construção de calçadas, pisos, entre outras finalidades. Coordenado pelo professor Fernando Sérgio Okimoto, da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) o Projeto de Extensão Universitário: “Tecnologias Sustentáveis de Construção: Aproveitamento dos RCCs (Entulho)”, tem apoio da Reitoria, da Pró-reitoria de Extensão Universitária e do Centro Local de Apoio à Extensão (CLAE) da Unesp de Presidente Prudente.

Os resíduos, após a trituração, podem ser utilizados como base de pavimentação asfáltica, em bancos, lixeiras, pontos de ônibus, floreiras, guias, sarjetas, aduelas e tubulações de drenagem. “Podem ser utilizados também para a produção de tijolos e blocos para paredes, em calçadas, guias e sarjetas”. “É possível ainda triturar pneus que não servem mais, para serem incorporados em concretos e argamassas, substituindo a brita e a areia”, acrescenta.

O projeto de extensão busca auxiliar diretamente o município na utilização de concretos com agregados reciclados nas obras municipais. Para Okimoto, a maior contribuição é fomentar a responsabilidade da construção civil com seus resíduos, evitar a extração equivocada de materiais tradicionais e apontar novos caminhos para os resíduos que forem produzidos.

De acordo com o professor, o projeto de extensão é uma grande contribuição para a gestão de resíduos e possibilitará a compra de uma máquina que triturará todo o material descartado pela construção civil. “A máquina vai triturar resíduos de concreto, argamassa, tijolos e telhas cerâmicas. Após esse processo, o material poderá ser utilizado para a realização de concreto com agregados reciclados, dispensando o uso de areia e de pedras de fontes naturais”.

Os benefícios para a sociedade são ambientais, econômicos e culturais. Haverá diminuição na geração de resíduos, do transporte e do volume, além de diminuição do consumo de matérias primas não renováveis de que a construção civil se utiliza quando se trata de concretos.

Na esfera econômica, a utilização dos resíduos além de possibilitar a redução dos custos de transporte e acondicionamento, possibilita a redução do valor final do concreto, que é o material de construção mais tradicional no Brasil”. “Podemos aprender novas formas de pensar e agir diante das necessidades da construção civil e dos assentamentos humanos, fazendo diferente e melhor”, conclui.

A proposta do projeto já foi aprovada pela Câmara Municipal de Presidente Prudente e está aguardando a assinatura do Prefeito.

Centro Local de Apoio à Extensão (CLAE) – O CLAE é um centro de excelência, articulado com o Ensino, Pesquisa e Extensão, com estrutura pública de qualidade, que vai ao encontro das demandas atuais da sociedade como um todo e, principalmente, da população de Presidente Prudente e região. Espera-se que seja, em curto prazo, uma referência regional e estadual em assuntos estratégicos a Projetos de Extensão, visando transformar o conhecimento acadêmico em serviço da comunidade, divulgando e adaptando a terminologia técnica ao dia a dia do cidadão.