Desatando o nó da madeira

Fonte: Projeto Colabora | Autor: Emanuel Alencar | Publicação: 21/08/16

Quando cruza o bairro de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, a Rodovia Washington Luís, uma das mais movimentadas da Região Metropolitana do Rio, é margeada por uma série de empresas ligadas à indústria de reciclagem. Reflexo de anos de funcionamento do famoso aterro, que, embora tenha fechado as portas em 2012, deixou para sempre na região a marca de um setor que movimenta milhões – e continua mergulhado na informalidade. Numa das muitas ruas apertadas, de terra batida, Edilson de Souza Mello, de 50 anos, fincou, há nove anos, um sonho: um centro de beneficiamento e reciclagem de restos de madeira. Vem dando certo. Assim que montou a Chaco-Vaco, em 2009, o empresário processava 300 toneladas por mês. Hoje, 5 mil toneladas/mês vão movimentar caldeiras de indústrias. Um crescimento de 1.500%.

Tenho 46 funcionários, todos com carteira assinada. Muitas trabalhavam no lixão, e foram capacitados. Apesar da crise, não penso em demitir. Infelizmente não temos, ainda, um mercado em expansão da biomassa porque a principal fonte das indústrias ainda é o óleo ou gás natural, altamente poluentes.

Pioneiro da reciclagem de madeira no Rio, Edilson é o maior entusiasta do uso de restos de madeira em caldeiras de indústrias. Mantém 250 pontos de coleta, de onde pega restos de madeira de grandes indústrias e de fábricas de móveis, num raio de 150km de Jardim Gramacho. Identificou uma mina de ouro num material altamente energético que, na maioria das vezes, acaba desperdiçado, enterrado em aterros. Ele conta que encontrou alterativas para driblar a crise – vendeu, recentemente, 80% do negócio para uma recicladora – e que nem passa pela cabeça dos sócios cortar mão de obra.

Tenho 46 funcionários, todos com carteira assinada. Muitas trabalhavam no lixão, e foram capacitados. Apesar da crise, não penso em demitir, pelo contrário – diz, orgulhoso. – Meu principal comprador é a GR Nova Iguaçu, que reaproveita ossos e sebo para fazer sabão e usa a madeira como motor das caldeiras. Firmamos uma parceria e montamos um circuito fechado. Infelizmente não temos, ainda, um mercado em expansão da biomassa porque a principal fonte das indústrias ainda é o óleo ou gás natural, altamente poluentes. Edilson de Souza Mello – Empresário

O “rei da Madeira” calcula que, de imediato, 15 indústrias poderiam ser suas clientes, se adaptassem suas caldeiras ao combustível menos poluente. Se isso acontecesse, faltaria inclusive cavaco – pequenos pedaços de madeira resultantes de uma trituração – para dar conta da demanda.

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