85% dos brasileiros não têm acesso à coleta seletiva, mostra estudo

Fonte: Época | Autor: Bruno Calixto | Publicação: 16/06/2016
Se você pode separar o lixo reciclável do lixo orgânico e ter a certeza de que eles vão para o destino correto, você é minoria no Brasil. Um novo estudo encomendado pelo Cempre, o Compromisso Empresarial para a Reciclagem, mostra que quase 170 milhões de brasileiros não são atendidos por coleta seletiva em suas cidades. Estamos muito longe de criar uma economia circular.
Segundo a pesquisa, 1.055 municípios têm programas de coleta seletiva. Como o Brasil tem mais de 5 mil cidades, esse número representa apenas 18% dos municípios. Quando analisamos a quantidade de cidadãos atendidos ou com acesso a algum programa de reciclagem, a porcentagem cai. Só 31 milhões de brasileiros – cerca de 15% da população total do país – podem contar com o “luxo” de separar o lixo. Ou seja, 85% dos brasileiros não têm como destinar resíduos para a reciclagem.

O estudo faz uma análise mais detalhada de 18 cidades do país e mostra outro dado preocupante. Em algumas cidades, a quantidade de material que está sendo reciclado caiu entre 2014 e 2016. O caso de Brasília é um exemplo. A capital federal reciclou 3.700 toneladas de lixo por mês em 2014. Em 2016, esse valor caiu para 2.600 toneladas por mês. Isso acontece principalmente porque o setor de reciclagem também está sofrendo com a crise econômica.

Há também casos positivos. As capitais do Sul – Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba – conseguem atender praticamente 100% dos cidadãos. Outro caso interessante é o Rio de Janeiro. Como a cidade é sede da Olimpíada, ela conseguiu financiamento no BNDES para melhorar a coleta. O resultado aparece nos números. O Rio de Janeiro triplicou a quantidade de toneladas de resíduos destinados para a reciclagem. Mas ainda está longe do ideal – só 65% da cidade é atendida pela coleta seletiva.

Segundo Vitor Bicca, presidente do Cempre, há dados positivos no estudo. O levantamento é feito desde 1994, e a comparação ano a ano mostra que a reciclagem está avançando, apesar de a passos lentos. A partir de 2010, houve um salto importante em quantidade de municípios que reciclam: um aumento de mais de 100%. Isso ocorreu por conta da aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Para Vitor, o que falta agora é um maior engajamento das prefeituras. “O entrave é político, e as prefeituras precisam se engajar mais. Quando a política foi aprovada, o governo federal criou linhas de financiamento para o município fazer o plano de gestão, que é a primeira etapa antes de fechar os lixões ou implantar a coleta seletiva. Mas houve um baixo engajamento dos municípios”, diz.

Uma das formas de pressionar por maior participação das prefeituras é cobrar por políticas de coleta seletiva nas eleições municipais deste ano, já que a coleta é responsabilidade de prefeitos. Para o Cempre, outra forma de pressionar é buscar uma mudança de compreensão sobre a reciclagem. Hoje ela é vista apenas como um processo que faz bem para o meio ambiente. Ele acredita que é preciso conscientizar a população de que também faz sentido do ponto de vista econômico. “O resíduo hoje é um bem econômico. Ele pode voltar para a indústria como novo produto, evitando o uso de matérias-primas.”

Correspondente americano chama a atenção para lixeiras sem divisão para lixo reciclável no Maracanã

Fonte: Extra

Publicação: 09/08/16

Um repórter americano chamou a atenção, nesta terça-feira, para as lixeiras do complexo do Maracanã e Maracanãzinho. Correspondente do Los Angeles Times, Vincent Bevins postou uma foto no Twitter, mostrando que as caixas não têm sacos separados, para embalagens recicláveis e para resíduos, conforme indicado na parte externa.

“Acabei de percebeer que os dois buracos dessas lixeiras da Rio2016 levam exatamente para o mesmo lugar”, escreveu no microblog. Logo em seguida, o jornalista acrescenta: “Eu olhei em volta de todo o complexo agora mesmo e todas as lixeiras são dessa forma: tudo indo para o mesmo saco plástico”.

Procurado, o Comitê Rio-2016 ainda não se manifestou sobre o assunto.

Prefeitura de São Paulo implementa serviço de coleta por catadores

Autor: Sara Fernandes

Fonte: Rede Brasil Atual

Publicação: 04/08/16

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São Paulo – Vinte e oito distritos da cidade de São Paulo já têm em funcionamento um sistema diferente para coletar lixo: são os catadores de material reciclável que, de porta em porta, fazem o serviço enquanto conversam com os moradores sobre a melhor maneira de descartar os resíduos. A expectativa é que o projeto piloto, implementado há três meses, seja estendido aos os 96 bairros da cidade. A iniciativa foi apresentada hoje (4) durante o terceiro encontro do ciclo de Diálogos Resíduo Zero.

Apesar do pouco tempo, esse tipo de coleta já é considerado mais eficiente e mais econômica pelo poder público e por organizações da sociedade civil. Em média, o custo é de apenas R$ 67 por tonelada coletada, e o total de rejeito é de 20%. Na coleta feita por compactador, o custo é de R$ 252 por tonelada e a média de rejeito de 50%. Na coleta por contêineres, a presença de rejeito é de 60% e o custo é de R$ 175 por tonelada, segundo dados do movimento Aliança Resíduo Zero Brasil.

“A coleta feita pelos catadores é muito mais eficiente que a das empresas, até porque eles fazem o trabalho de conscientizar a população”, disse o coordenador de programas da Secretaria de Serviços, Djalma Oliveira. Atualmente, os catadores recolhem em média uma tonelada por dia de materiais recicláveis em cada um dos 28 distritos onde a operação é realizada. O que não pode ser reciclado é deixado em pontos estratégicos para ser recolhido pelos caminhões de lixo.

Catadores que estiveram presentes no evento afirmaram, no entanto, que as condições ainda são muito desiguais na comparação com as empresas privadas que possuem contratos de coleta de lixo. Atualmente, o serviço está dividido em quatro grandes companhias, que possuem contratos milionários e de pelo menos dez anos. Até o final do ano, a prefeitura espera lançar um edital que subdivida a cidade em diferentes áreas para coleta de lixo e distribua serviço entre mais empresas e entre as cooperativas de catadores.

“Nosso trabalho tem a eficiência reconhecida pelo poder público, mas muitas vezes trabalhamos em troca de migalhas contra concessionárias que ganham milhões. É uma briga desigual”, disse Valquíria Santos, membro da cooperativa de catadores do Grajaú, na zona sul. Segundo ela, a coleta feita porta a porta por catadores é uma demanda histórica da categoria. “Fazemos tudo isso com pouquíssimo incentivo da prefeitura. Tudo o que entra na cooperativa entra pelo trabalho dos catadores, que só querem igualdade e trabalho digno pra levar alimentação pra dentro de casa”, afirmou o presidente do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, Eduardo de Paula.

Em São Paulo, apenas 10% das associações reconhecidas de catadores de materiais recicláveis são autorizadas a receber os produtos coletados pela prefeitura. A estimativa do poder público é que pelo menos 10 mil catadores trabalhem de forma autônoma, considerada mais precária que os associados a alguma organização. Da mesma forma, estão registrados no município 550 sucateiros e ferros velhos, mas estima-se que pelo menos 5 mil trabalhem de forma irregular, segundo a Aliança Resíduo Zero Brasil.

Ao todo 94% dos resíduos coletados na cidade de São Paulo vão parar em aterros sanitários. Porém, dados do movimento mostram que pelo menos 86% desses materiais poderiam ter outros destinos, como a reciclagem. Em média, um morador do Alto de Pinheiros, na zona oeste, produz 1,75 quilo de lixo por dia, ante 0,63 quilo diário produzido por morador de Cidade Tiradentes, na zona leste.