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É uma casa muito engraçada
A Huf Haus, empresa alemã de casas préfabricadas, entrou na onda da sustentabilidade para se recriar e assim se transformou num objeto de desejo entre os ricos
Um do dilemas enfrentados pelas empresas de várias partes do mundo hoje é como se posicionar diante da cada vez mais premente questão da sustentabilidade. É uma unanimidade mundial que aparecer na mídia como aggressor do meio ambiente provoca imenso estrago à imagem — e ao próprio negócio. Outro ponto — bem menos pacífico — é como e quando mudar os produtos para atender consumidores preocupados com questões como o aquecimento global. Para a empresa alemã de casas préfabricadas
Huf Haus, essa é uma questão resolvida. Criada em 1912 pelo carpinteiro Johann Huf, a empresa permaneceu décadas com atuação restrita aos arredores de sua cidade de origem, Hartenfels — onde até hoje funciona sua fábrica.
A partir do final da SegundaGuerra Mundial, já sob o commando do herdeiro Franz, a Huf Haus participou de obras como a reconstrução dos prédios centrais dos Correios em Colônia e Frankfurt, destruídos pelos bombardeios aliados, sem nunca chegar a ser uma referência. Em busca de uma identidade, na década de 70 criou sua primeira casa sustentável, com ideias então inovadoras, como o aproveitamento da água da chuva. Mesmo na Alemanha, um dos precursores da conscientização verde, o sucesso dessa proposta não foi imediato.
As vendas da Huf Haus só deslancharam a partir do ano 2000, quando leis de incentivo à produção local de energia renovável foram criadas. Foi então que as casas com telhados cobertos por células fotovoltaicas para a produção de energia solar e com paredes envidraçadas para diminuir o consumo de eletricidade captaram o imaginário dos milionários. Sim, a Huf Haus faz casas pré-fabricadas, mas é uma marca de grife. Uma construção de 400 metros quadrados — sem contar o valor do terreno — custa, em média, o equivalente a 2 milhões de reais, um preço 30% superior ao de uma casa de metragem semelhante e quase o dobro do cobrado pela empresa no começo da década.
Sua marca registrada é o estilo arquitetônico Bauhaus. Em 2002, Georg e Thomas, dois netos do fundador, assumiram o commando e deram início a um ambicioso projeto de internacionalização. Para eles, fazia todo o sentido seguir a onda verde que se espalhava para fora das fronteiras alemãs. Hoje há representações em 17 países, incluindo escritórios recémabertos em Cleveland, nos Estados Unidos, e em Pequim, na China. “Encontramos na China um mercado mais receptivo do que imaginávamos. Já vendemos cinco projetos, todos na pro víncia de Qingdao”, diz Michael Baumann, diretor da Huf Haus. A expectative é repetir em outros países o sucesso que a marca faz na Inglaterra, onde ganhou fama há cinco anos, depois de um de seus projetos ter sido destacado pelo programa de TV Grand Designs, transmitido pelo Channel 4. Agora, um quarto da produção de 200 casas anuais é vendido no mercado inglês.
Um dos aspectos que mais seduzem os admiradores da marca é a perspectiva de ter um design exclusivo, feito sob medida, a partir das muitas possibilidades de composição dos módulos. “Nenhum dos nossos projetos já executados é igual a outro”, diz Baumann. As peças são transportadas em caixas para ser montadas in loco por equipes treinadas.
Dependendo do nível de complexidade do projeto, tudo pode estar concluído em apenas um mês — sem produção de resíduos e sem os típicos desperdícios comuns a todas as obras. Uma vez montadas, as casas chamam a atenção pelo número de recursos usados para diminuir o consumo de energia. Com a intenção de aumentar o isolamento térmico, os vidros têm três camadas, mas talvez o mais inovador seja o sistema de refrigeração.
Quando o dono do imóvel quer resfriar o ambiente interno e o ar de fora da casa está mais frio, bombas fazem a troca. Mesmo sendo ecologicamente correta, uma grife e sinal de distinção entre os ricos e descolados, a Huf Haus tem vários críticos entre seus clientes. Na Inglaterra, cerca de dez casas estão à venda. São imóveis espaçosos e com preços entre 4 milhões e 7 milhões de reais. Uma das reclamações mais comuns é a dificuldade de limpar tantos vidros, incômodo que para os donos se tornou maior que a vontade de preservar a natureza.
Publicado em: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/casa-muito-engracada-609996.shtml
Construção verde ganha adeptos no País
Obras sustentáveis deixam de ser exclusividade de grandes empreendimentos e já englobam escolas públicas e condomínios de casas residenciais
A tendência das construções verdes está deixando de ficar restrita a grandes construções, como prédios de escritórios e supermercados, e está chegando à empreendimentos com menor escala, como escolas públicas, bancos, condomínios de casas residenciais e até templos religiosos.
Em comum, as edificações têm uso racional de energia, captação de água da chuva, solo menos impermeabilizado e propiciam maior conforto térmico e acústico em seu interior. Além disso, passam por processos de auditoria para ostentar selos de construção sustentável.
Por ser um mercado ainda incipiente no Brasil, a maioria das construções recebe o aval de dois principais selos de construção sustentável: o Aqua, criado em 2007 pela Fundação Vanzolini, ligada à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), e o americano Leed (Liderança em Energia e Design Ambiental).
Com o selo Aqua, existem 14 empreendimentos certificados e outros 25 em processo de receber auditorias. O selo foi o primeiro a atender obras de menor porte, como escolas. Já o selo Leed está estampado em 18 edificações em todo o País, e outros 75 empreendimentos buscam a certificação.
A novidade é o selo europeu Breeam, bastante utilizado na Inglaterra, onde já existem 65 mil empreendimentos certificados. Na região serrana do Rio, será construído um condomínio de oito casas residenciais sob os princípios da certificação.
Para obter a certificação Aqua, os empreendimentos precisam atender a 14 critérios de sustentabilidade. “Mas não basta adotar um cardápio de tecnologias verdes. É importante que o empreendimento privilegie questões como o conforto e a saúde de quem irá ocupar esses espaços”, explica Manuel Carlos Reis Martins, coordenador executivo do processo de certificação Aqua na Fundação Vanzolini.
De acordo com Martins, um dos principais mitos que ainda cercam as construções com menor impacto ambiental é de que essas tecnologias são caras. O professor explica que, dos custos totais de um empreendimento, 20% são de construção e 80% de operação. “Se reduzirmos os custos de operação com tecnologias que economizam água e energia, por exemplo, o investimento inicial se recupera em menos de dez anos.”
Escolas
Em São Paulo, duas novas escolas estaduais, uma região central e outra na zona norte, começam a ser construídas com base nos princípios de sustentabilidade, como referência para outros projetos.
As escolas estaduais Bairro Luz, no centro da capital, e Vila Brasilândia, na região norte, terão, além de tecnologias para economia de água e energia, soluções técnicas arquitetônicas para proporcionar aos alunos mais conforto térmico e acústico. Também foram projetadas para receber mais iluminação natural e gerar menos resíduos no processo de construção.
Na escola no bairro da Luz, localizada em uma área de preservação histórica, estão sendo tomados cuidados para que a construção não traga impactos negativos a imóveis tombados no entorno. “Serão as primeiras escolas do País certificadas com o selo de construção verde”, diz o engenheiro Luiz Fernando Ferreira, diretor da Inovatech, empresa de engenharia que executa os projetos.
A Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), ligada à Secretaria de Estado da Educação de São Paulo e responsável pela construção das escolas, já tinha um programa que visava o baixo impacto ambiental nos canteiros de obras, além de um projeto de reaproveitamento da água da chuva, adotado em uma escola do bairro de Perus, na zona norte.
Matéria publicada no Jornal:
O Estado de São Paulo (http://www.estadao.com.br)
por Andrea Vialli – Publicada em 02 de Setembro de 2010
Você explora o potencial de sustentabilidade da sua casa?
A convite do Planeta Sustentável e da equipe da revista Casa Sustentável, os especialistas em arquitetura e design sustentável Newton Massafumi Yamato e Paulo Alves participaram de um bate-papo em SP, em que desmistificaram vários preconceitos, como a ideia de que apenas quem está construindo ou reformando tem a chance de incorporar a sustentabilidade dentro de casa.
Mediada pela jornalista Marianne Wenzel, que é editora da revista Arquitetura & Construção – publicação que produziu o especial em parceria com a revista Casa Claudia –, a conversa esclareceu uma série de mitos em torno da arquitetura e do design sustentável e, ainda, rendeu ideias superinteressantes para aqueles que estão a fim de morar em sintonia com o meio ambiente.A convite do Planeta Sustentável e da equipe da revista Casa Sustentável, os especialistas em arquitetura e design sustentável Newton Massafumi Yamato e Paulo Alves participaram de um bate-papo em SP, em que desmistificaram vários preconceitos, como a ideia de que apenas quem está construindo ou reformando tem a chance de incorporar a sustentabilidade dentro de casa.
Yamato, que é arquiteto especializado em projetos ambientais, foi o primeiro a falar para a platéia e apresentou um material que causou polêmica: a madeira biossintética, fabricada a partir de plástico reciclado. O material foi usado por Yamato para construir o brise de uma casa – apresentada no especial Casa Sustentável – e, segundo o arquiteto, pode ser produzido a partir da reciclagem de sacolinhas, o que levou alguns participantes da platéia a questionar se a opção não incentivaria a produção e o consumo dos sacos plásticos.
“O ideal, claro, é que cerca de 90% das casas sejam feitas de materiais renováveis e, sobretudo, de madeira, mas como ainda estamos muito longe dessa realidade, acredito que a madeira biossintética é uma opção interessante”, disse o arquiteto, que alertou: “Por ser um material novo, ainda não conhecemos profundamente suas características, mas protótipos mostraram que a madeira biossintética é resistente às intempéries e não requer manutenção”.
Em sua apresentação, Yamato ainda deu uma porção de dicas para as pessoas que não estão construindo ou reformando suas casas, mas querem incorporar a sustentabilidade em suas moradias. “Não é preciso grandes mudanças para viver em harmonia com o meio ambiente. Existem vários níveis de sustentabilidade que podem ser explorados em uma edificação”, destacou. Entre os conselhos do especialista, estão:
– colocar plantas em alguns cômodos da casa para aumentar a umidade relativa do ar e deixar o ambiente mais fresco, o que diminui o uso de refrigeradores e ar-condicionados na casa e, consequentemente, aumenta sua eficiência energética;
– manter as cortinas e persianas sempre abertas para aumentar a luminosidade da casa e, assim, diminuir o consumo de energia elétrica;
– cultivar jardins na área externa ou na laje da casa, o que refresca o ambiente e ajuda a combater o aquecimento global e
– adotar pequenos hábitos que estimulem a relação de respeito dos moradores com a natureza, como, por exemplo, ‘aposentar’ os relógios da casa e aprender a ver as horas a partir da posição do sol.
O designer sustentável e proprietário da Marcenaria São Paulo – que produz, apenas, móveis com madeiras brasileiras certificadas –, Paulo Alves, foi o segundo palestrante da noite e aproveitou o discurso de Yamato para dar uma outra dica para quem quer incorporar a sustentabilidade em sua casa. “Podemos cuidar melhor do espaço onde trabalhamos em casa e, assim, sair menos vezes para ir ao escritório”, disse o designer, que completou: “Hoje eu trabalho a 20 cm do meu quarto e posso dizer que a minha qualidade de vida aumentou bastante: eu almoço em casa e uso menos carro, o que diminui minha emissão diária de CO2”.
Paulo contou, ainda, que a atual casa onde mora foi construída em um galpão abandonado, no centro da cidade de São Paulo. Usando um pouco de criatividade e o conhecimento que possui na área de projetos ambientais, o designer transformou a área degradada em uma casa sustentável e aconchegante, com uma grande área verde, que atrai quatro espécies diferentes de pássaros.
Em sua palestra, Paulo defendeu o uso da madeira certificada e lamentou que muita gente ainda deixe de usar madeira proveniente de manejo florestal por achar que se trata de um produto mais caro ou com características diferentes da madeira ilegal, que ainda é mais popular. “Na verdade, a madeira é a mesma, só que tem uma produção controlada”, salientou o designer, que ainda aconselhou: “Entre as certificadas, eu indico a Paricá, que é brasileira, e ainda sugiro que explorem diferentes tipos de madeira em um mesmo móvel. Além de ficar mais bonito, ajuda no processo de manejo sustentável”. Segundo Paulo, é preciso ficar de olho no trabalho dos designers, porque muitos deles deixam de explorar a diversidade madeireira do país por pura comodidade, já que desconhecem as características dos tipos de madeira que são menos comuns nesse tipo de trabalho.
Matéria publicada no site: http://planetasustentavel.abril.com.br
por Mônica Nunes/Débora Spitzcovsky - Publicada em 02 de Setembro de 2010
“Casa de Lego” para baixa renda custa R$ 13 mil
Matéria publicada no site:
por Marcel Gugoni - Publicada em 06 de Setembro de 2010
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Imóvel tem dois quartos, um banheiro e uma sala conjugada à cozinha |
Televisões que não funcionam mais, garrafas de refrigerante, potes quebrados e sacolas plásticas que iriam para o lixo podem significar a solução para suprir a falta de moradias a um preço acessível. Uma casa feita quase totalmente de blocos de encaixar, assim como as casinhas de Lego, pode custar R$ 13 mil e ser uma das respostas para o avanço da habitação no país.
Trata-se de um imóvel com dois quartos, um banheiro e uma sala conjugada à cozinha, com cerca de 45 m2 (metros quadrados) de área privativa, como explica o engenheiro civil Joaquim Caracas. Ele é dono da Impacto Protensão, empresa da área de construção civil do Ceará que desenvolveu o projeto. “Ela é toda feita de material reciclado, do piso ao teto, e qualquer um pode montar. Demora de dois a três dias para ficar pronta e não requer mão de obra especializada. É como um brinquedo Lego mesmo”.
O produto ainda não está à venda porque passa por testes. O engenheiro diz que espera colocar a casa de plástico em produção industrial ainda neste ano. “Das 400 instalações que operamos, por meio de aluguel, conseguimos um preço de custo de R$ 370 o m2. Se entrar em uma escala industrial, a tendência é baratear. Esperamos neste ano obter todos os certificados para começar a procurar um parceiro para investir no projeto.
Sem alicerce
A casa não tem alicerce. Ela é montada sobre uma placa metálica instalada no terreno. Nela são afixadas as paredes, que são feitas de um tipo de polietileno (um dos compostos químicos que formam o que chamamos de plástico) preenchidas com uma espuma. Internamente, eles contam com estrutura metálica e dutos para encanamento e instalação elétrica.
O material é mais leve do que o concreto ou a madeira e tão resistente quanto os tijolos. Caracas conta que sua maior preocupação quando começou a montar a casa de plástico era a isolação térmica.
O problema foi resolvido quando as placas ganharam um espaço oco por dentro. Isso fez com que esse “vazio” funcionasse como isolante, nos moldes das geladeiras de isopor, sem esquentar demais o interior do imóvel ou causar desconforto aos ocupantes. “A ideia surgiu há uns dois anos e meio, quando eu buscava uma forma de substituir aquelas placas de compensado por plástico reciclado. Eu usava aquelas folhas de madeira para isolar a obra e pensei ‘por que não fazer uma casa com isso’?”
Ele diz que a primeira casa foi feita dentro da Universidade Federal do Ceará (UFCE) para testar os materiais e a viabilidade do projeto. Hoje, a ideia funciona em cerca de 400 instalações, de salas de aula a sedes da guarda municipal, escritórios de construção, chalés e quiosques em Fortaleza (CE) e Recife (PE).
Caracas conta que a vantagem é a praticidade e a facilidade para montar uma casa do tipo. Mas ele reconhece que há uma desvantagem: “O que acontece é que há preconceito sobre ela, por ser feita de material reciclado. Quando eu comecei a minha ideia era fazer uma casa, mas tem tanta coisa que dá para construir que isso poderia ser viável em comunidades carentes para fazer escola e posto de saúde, entre outros”.
Pioneira do setor tem casa de plástico até em Angola
A primeira casa de plástico do Brasil surgiu em 2005, a partir da parceria de uma fabricante deste material. Hoje, a MVC – braço da fabricante de ônibus Marcopolo – tem casas em cidades do Rio Grande do Sul, projetos para o Rio de Janeiro e exporta parte da produção para países como Venezuela, Paraguai, Chile e Angola.
A empresa diz que o metro quadrado construído pode custar a partir de R$ 650. Em SP, o preço do metro quadrado convencional passou dos R$ 905 em agosto, segundo as contas do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP).
Gilmar Lima, diretor-geral da MVC, diz que a tecnologia mescla, em uma “estrutura tipo sanduíche”, lâminas de plástico reforçado (um tipo de PVC, aquele do encanamento da sua casa, só que mais resistente) com fibra de vidro montadas sobre um esqueleto de aço naval.
Ele diz que a empresa desenvolve o material desde 2003. “É como um plástico daqueles utilizados em cascos de barcos, ou em um trem, ou em um caminhão. Com a diferença que uma casa fica parada. Nossa casa de plástico é um polímero de alta tecnologia, com alto desempenho de resistência a fogo, a pancadas, a água e durabilidade perto dos cem anos. Ele não tem origem nos plásticos recicláveis, mas pode ser reciclado”.
Ele diz que a companhia já vende kits prontos para residências de três tamanhos diferentes – 36 m2, 42 m2 ou 63 m2. Desde 2005, são mais de 1.600 imóveis construídos (70 mil m2). Outros 1.500 ainda estão em contrato para serem entregues, sendo que a maior parte teve financiamento do Minha Casa Minha Vida – programa de habitação popular do governo federal. “Nosso impedimento é que não posso fazer só uma casa. Tem que ter escala. Sempre trabalhamos com volumes mínimos de 50 a cem unidades”.
Falta de moradias
Para o Mauricio Linn Bianchi, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do Sinduscon, qualquer sistema de construção que seja capaz de unir materiais resistentes e duradouros a um preço baixo e a um tempo curto de produção deve ser desenvolvido. “Temos um déficit habitacional muito grande para atender, escassez de mão de obra e um país extremamente grande e com diferentes áreas climáticas. Entre as tecnologias duráveis e de bom desempenho que conhecemos está o plástico. A questão é que qualquer sistema que ofereça redução de mão de obra e respeitar esses assuntos é benvindo”.
Segundo ele, a casa de plástico é uma boa alternativa para atingir a meta de acabar com o déficit habitacional nos próximos 20 anos. Estimativas apontam que o Brasil precisa fazer ao menos 1,5 milhão de residências por ano para oferecer um lar para cada brasileiro.
No Reino Unido, o exemplo da casa plástica é levado adiante por uma empresa que recicla cerca de 18 toneladas do material para cada residência. A empresa Affersol produziu uma resina ultrarresistente, batizada de Thermo Poly Rock (TPR), que dura cerca de 60 anos.
Na China, a alternativa são apartamentos do tamanho de contêineres que podem ser colocados um sobre o outro. A indiana Tata, uma das maiores empresas do mundo, diz que vai oferecer um imóvel de 26 m2 com sala, cozinha e quarto tudo junto por 670 mil rúpias (cerca R$ 28,2 mil).
População esgotou todos os recursos da Terra
Matéria publicada no site:
Publicada em 16 de Agosto de 2010
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No dia 21 de agosto de 2010, os habitantes da Terra esgotaram todos os recursos que o planeta lhes proporciona no período de um ano, passando a viver dos créditos relativos ao próximo ano, segundo cálculos efetuados pela ONG Global Footprint Network (GFN).
De acordo com o estudo, “foram necessários 9 meses para esgotar o total do exercício, em termos ecológicos. A GFN calcula periodicamente o dia em que vão se esgotar os recursos naturais que o planeta é capaz de fornecer por um período de um ano, consumidos pela humanidade, aí incluídos o fornecimento de água doce e matérias-primas, entre elas as alimentares.
Para 2010, a ONG prevê o ‘Earth Overshoot Day’, ou Dia do Excesso, numa tradução livre, com o significando que em menos de nove meses esgotamos o que seria o orçamento ecológico do ano, revela o presidente da GFN, Mathis Wackernagel.
No ano passado, segundo ele, o limite foi atingido no dia 25 de setembro, mas não é que o desperdício tenha sido diferente. “Este ano revisamos os nossos próprios dados, verificando que, até então, havíamos superestimado a produtividade das florestas e pastos: exageramos a capacidade da Terra” de se regenerar e absorver nossos excessos.
Para o cálculo, a GFN baseia-se numa equação formada pelo fornecimento de serviços e de recursos pela natureza e os compara ao consumo humano, aos dejetos e aos resíduos – as emissões poluentes, como o CO2. “Em 1980, a nossa “pegada ecológica” foi equivalente a tamanho da Terra. Hoje, é de 50 % a mais, insiste a ONG.
Assim, “se você gasta seu orçamento anual em nove meses, deve ficar provavelmente muito preocupado: a situação não é menos grave quando se trata de nosso orçamento ecológico”, explica Wackernagel. “A mudança climática, a perda da biodiversidade, o desmatamento, a falta de água e de alimentos são sinais de que não podemos mais continuar a consumir o nosso crédito.
Para inverter a tendência, é preciso “que a população mundial comece a diminuir” – um tabu que começa a ser desmistificado pouco a pouco entre os demógrafos e os defensores do meio ambiente, inclusive no seio das Nações Unidas. “As pessoas pensam que seria terrível mas, para nós, representaria uma vantagem econômica. Mas é uma escolha”, comenta Wackernagel.




