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Onde colocar o lixo doméstico?

set 20th, 2010No Comments

Desde seu lançamento, em junho de 2009, a campanha Saco é um Saco, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), ajudou a evitar 800 milhões de sacolas plásticas no Brasil. Este número corresponde apenas às sacolas evitadas pelas três maiores redes de supermercado do país e significa 5,4% dos 15 bilhões de sacolas plásticas produzidas no último ano. Mas ao evitar sacolas plásticas, o que utilizar para colocar o lixo doméstico? O que usar para retirar o cocô do cachorro da calçada enquanto passeia? A Equipe Übersite conversou com a Secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do MMA, Samyra Crespo, e esclareceu essas e outras dúvidas. Confira a entrevista exclusiva e faça parte dessa campanha!

A campanha Saco é um Saco enfatiza as consequências do descarte do saco plástico de maneira incorreta e a importância do consumo de maneira consciente. Quais situações configuram o descarte incorreto e o que vocês consideram como consumo consciente?

O descarte incorreto é aquela sacolinha jogada na rua, na natureza ou deixada de maneira displicente em latas de lixo ou outro local, permitindo que elas voem com o vento. O correto é o descarte no lixo, sem possibilidade de a sacolinha se desgarrar. Porém, só é correto até a sacola chegar ao aterro ou lixão, porque lá, por ser muito leve, ela pode voar. O descarte corretíssimo seria o encaminhamento para reciclagem – embora a efetiva reciclagem do plástico-filme (material que é utilizado para fazer a sacolinha) seja ínfima. Aí entra a importância do consumo consciente. No caso das sacolas plásticas, o consumo consciente é pegar somente a quantidade necessária, se possível recusar e adotar alternativas. Mas, se levar alguma pra casa, reutilizar ao máximo. Nosso lema é: “Recuse, reduza, reutilize”. O consumo excessivo de sacolas plásticas é que traz o problema ambiental que observamos.

É cada vez mais comum a prática do uso de sacola plástica para retirar o cocô do cachorro da calçada (enquanto o dono passeia com o animal de estimação). Com essa atitude, as vias públicas ficam mais limpas, porém, utilizam-se mais sacolas plásticas. Qual é a alternativa para esses casos?

Em outros países, a obrigação de recolher o cocô do cachorro também existe, assim como a de embalar o lixo em algo, mas o plástico não é a opção tão óbvia. No Brasil se faz esse uso – que é uma reutilização da sacola de supermercado – pela gratuidade do item, distribuído indiscriminadamente. Mas, se estamos preocupados com o lixo que geramos e deixamos no planeta – e o plástico resiste séculos – então devemos começar a avaliar alternativas. Por que não usar jornal? Papel é biodegradável e não guarda o cocôzinho pela eternidade como  o plástico faz. As pessoas se acostumaram ao prático, ao fácil, ao descartável. Infelizmente, não podemos nos dar a esse luxo sendo quase sete bilhões de pessoas em um planeta finito.

A maioria das pessoas utiliza as sacolas plásticas dos supermercados para acondicionar o lixo doméstico (tanto seco como orgânico). Ao optar por sacolas ecológicas (ecobags) ou caixa de papelão para carregar as compras, o que utilizar para colocar o lixo de casa?

A questão do lixo é a que mais causa dúvidas e também se enquadra na explicação anterior: precisamos apenas repensar nossos hábitos. O lixo seco, hoje, é basicamente composto por materiais recicláveis. Esses podem e devem ser separados e encaminhados à reciclagem. Aqueles que têm coleta seletiva em seus bairros, ou observam catadores de recicláveis trabalhando, ou, ainda, têm a possibilidade de levar seus recicláveis para uma estação que os destina para a reciclagem, podem separar seus recicláveis em caixas (ou mesmo sacos grandes), depositá-los e reutilizar as caixas ou sacos em outras viagens. É sempre interessante observar como esse novo hábito vem sendo criado em outros países. Com o lixo orgânico, infelizmente, no Brasil, não temos alternativa ainda: ele precisa estar acondicionado em um saco plástico. Mas observem que, ao usar sacos plásticos só para lixo de cozinha e de banheiro, sem acondicionar peças grandes como embalagens em geral, já reduzimos significativamente a quantidade de sacos necessários. Se houver a possibilidade, sugerimos a compra de sacos de lixo feitos de material reciclado (que retiram plástico da natureza) ou biodegradáveis.

Qual a diferença entre a sacola de plástico do supermercado e os sacos de lixo de material reciclado, que são vendidos?

As sacolas de plástico do supermercado e os sacos de lixo comuns (azuis) são feitos de matéria-prima virgem, ou seja, demandam petróleo ou gás natural, dois recursos não-renováveis e finitos. Já os sacos pretos, geralmente de material reciclado, retiram o plástico já descartado de circulação e os reutilizam. Levando em consideração que produção do plástico envolve consumo de água, energia e emite poluentes, o melhor então é reciclar o plástico já produzido, consumindo assim menos matéria-prima e menos insumos (água, energia).

Em muitos locais do Brasil não existe coleta seletiva e os lixos acabam se misturando. Existe alguma alternativa nesse sentido?

A alternativa, por ora, é a mobilização social local. Reunir os vizinhos do bairro e contatar uma cooperativa de catadores que recolha os recicláveis é uma alternativa. Outra é mobilizar os políticos locais para implementação de coleta seletiva ou, ainda, instituir um sistema de coleta de recicláveis na escola do bairro, por exemplo. No plano nacional, o MMA conquistou, recentemente, a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que tramitava há 20 anos no Congresso Nacional e que trará soluções para essa questão. Se em alguns casos ainda não se pode abrir mão dos sacos plásticos pela falta de estrutura de coleta, paciência, mas esse dia vai chegar. Enquanto isso, sugerimos o uso de sacos de lixo de material reciclado.

Se o saco plástico foi utilizado com lixo orgânico (contaminando o material) é possível reciclá-lo?

A reutilização do saco plástico como saco de lixo contamina e inviabiliza a reciclagem. Além disso, a separação pós-consumo nem sempre acontece – nem em casa, nem no local onde o lixo é despejado – e mais difícil ainda é o encaminhamento para reciclagem. As sacolas plásticas têm esse baixíssimo índice de reciclagem também por esse fato.

Muito se fala sobre sacola oxi-biodegradável e bioplástico, porém pouco se conhece sobre essas alternativas. Elas realmente são uma alternativa?

Essas duas tecnologias já estão disponíveis no mercado brasileiro hoje, mas são bem mais caras.  A tecnologia oxi é a inclusão de um aditivo no polietileno, que acelera a fragmentação do plástico. Não há consenso científico sobre sua real biodegradação. Até o momento, consideramos que a fragmentação do plástico é até mais perigoso, pois o plástico inteiro ainda pode ser recolhido e enviado para reciclagem. Os bioplásticos, por outro lado, são mais interessantes. São feitos a partir de matéria-prima renovável, como amido de batata ou mandioca, que são naturalmente biodegradáveis e compostáveis. Infelizmente, são muito mais caros, pois a produção no Brasil é pequena ainda. Mas seja qual for a alternativa, nenhuma delas é interessante se mantivermos o nível de consumo excessivo de sacolas plásticas que temos hoje no Brasil e no mundo. Não há solução mágica ou única. Temos que mudar nosso comportamento, nossos hábitos.

É fato que as sacolas oxi-biodegradáveis se decompõem em 18 meses? O que acontece com o lixo que está acondicionado nela?

Preferimos falar em fragmentação, que é o que acontece com esse material, e ela é relativa. Em condições de aterro ou lixão, quando o saco plástico está constantemente sendo soterrado por novas camadas de lixo, não há luz, calor, oxigênio, ou seja, não há fragmentação. O comportamento do oxi, nestas condições, é idêntico ao do plástico comum: resistirá a séculos. O mesmo ocorre com o material orgânico nessas condições: sem luz, oxigênio e calor, mesmo um cachorro-quente pode permanecer intacto nas camadas mais profundas dos depósitos de lixo. Nas camadas superiores, realmente o plástico oxi vai se fragmentar se tiver tempo para isso – tempo suficiente para a incidência de luz, calor e oxigênio. Nesse caso, o lixo é liberado e os fragmentos de plástico podem voar com o vento, indo parar na natureza ou sobre as casas de quem morar por perto.

Matéria publicada no site: www.blog.giselebundchen.com.br
Publicada em 31 de Agosto de 2010
Confira o site da campanha Saco é um saco

Forro ecológico criado pelo Senai usa saco vazio de cimento

set 17th, 20103 Comments

Matéria publicada no site:

www.jcnet.com.br

por Luiz Beltramin – Publicada em 05 de Setembro de 2010

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Um projeto dos formandos do curso técnico em construção civil-edificações da escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) João Martins Coube, de Bauru, promete ser uma alternativa tanto de aproveitamento sustentável dos materiais quanto de impulso econômico para diferentes setores.

A inovação, batizada de “Forreco” (originada de forro ecológico), baseia-se na produção de placas para forro concebidas a partir da transformação do papel dos sacos de cimento vazios.

O material é um dos principais itens de lixo nas construções e é de reciclagem considerada praticamente inviável economicamente .

Além de tirar do meio ambiente grande quantidade de detrito poluidor, cujo tempo de decomposição é alto e resulta em poluição do ar e de lençóis freáticos pela presença de resíduos do cimento em pó, a iniciativa também é de cunho socioeconômico, defendem idealizadores, professores e direção da escola.

“Além do caráter ecológico, também há o foco social”, destaca Ademir Redondo, diretor do Senai de Bauru. “Proporcionaríamos material de custo menor, com a possibilidade da implantação do forro até mesmo nos empreendimentos mais populares”, enaltece o aluno Cosme Cipriano, autor do projeto ao lado dos colegas Eliane Regina Ariosi Campos, Michel Lucas Medeiros e Gildo Bonfim da Silva.

A ideia faz parte do trabalho de conclusão de curso dos estudantes e fez sucesso durante a edição 2010 do programa “Inova Senai”, que premia alunos e professores da escola que apresentarem os melhores projetos de pesquisa aplicada. Exposta até anteontem em São Paulo, a proposta chamou a atenção de construtores e acadêmicos da área, além de ganhar destaque na mídia nacional.

Selecionado entre 132 projetos apresentados por alunos de todo o Estado, o trabalho dos estudantes bauruenses ficou entre os 40 melhores que buscam uma vaga na etapa nacional do concurso.

Do lixo para o teto

Para a elaboração do projeto, os alunos percorreram construções por toda a cidade e observaram a grande quantidade de sacos de papel descartados. Com o alto valor da reciclagem, resultante do custo para separar resíduos de cimento do papel, as embalagens se tornam problema ambiental caso não sejam destinadas para aterros ou bolsões específicos.

A partir do reaproveitamento, enfatiza o professor do curso e arquiteto Luiz Antônio Branco, é agregado valor a um material praticamente desprezado, inclusive por catadores de itens recicláveis.

As placas, assegura o arquiteto, são duráveis e possuem resistência. “Elas são reforçadas por fibras formadas pela própria permanência de resto de cimento junto ao papel. Esse é o contraponto. Não é viável reciclar, mas, ao mesmo tempo, isso deixa o material perfeito para o produto”, explica Branco.

“Além disso o próprio papel é de altíssima resistência”, acentua o professor, salientando, ainda, que os resíduos do cimento deixam as placas de forro resistentes ao fogo. Testes feitos com auxílio de maçarico comprovam essa característica, asseguram aluno e professor. “O fogo não atravessa”, garante Branco. “Claro que muitos outros testes ainda precisam ser feitos. Estamos em fase inicial”, pondera.

BH não tem infraestrutura para ampliar triagem de lixo

set 15th, 2010No Comments

Matéria publicada no:

Jornal Estado de Minas

por Amanda Almeida – Publicada em 04 de Agosto de 2010

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Espalhados por vários locais da cidade, os 120 contêineres de entrega voluntária de material reciclável não atendem à grande demanda

Atenta às orientações de ambientalistas, a aposentada Marisa Moreno, de 56 anos, estabeleceu uma regra em casa: plástico, metal, papel e vidro devem ser separados do lixo orgânico. Mas ela tem a sensação de que o esforço não é compartilhado pelo poder público e o meio ambiente não é favorecido com a contribuição dela. “Não adianta nada separar, se a prefeitura volta a misturar o lixo em aterros. Já pedimos à Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) para fazer a coleta seletiva aqui, mas não tivemos retorno”, diz. Ela mora no Coração Eucarístico, na Região Noroeste de Belo Horizonte, um dos 677 bairros e vilas da capital que não recebem o programa Coleta seletiva porta a porta, da SLU. Apenas 30 bairros e vilas, ou 4,2%, a maioria na Região Centro-Sul, são atendidos.

Na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10). Entre outras novidades, a norma garante incentivos, como recursos da União, aos municípios que implantam coleta seletiva e responsabiliza também a sociedade civil pela separação do lixo. Apesar de a nova regra já ter entrado em vigor, Belo Horizonte ainda não tem estrutura para ampliar seu programa de recolhimento de materiais recicláveis, segundo a SLU. Das 3,5 mil toneladas de lixo produzidas diariamente, apenas 20 toneladas são encaminhadas a cooperativas de catadores de lixo.

“O grande problema é a saturação das sete cooperativas que têm parceria com a prefeitura. Não há mais espaço para armazenar o lixo e fazer a triagem. Não adianta estendermos o programa, se não temos para onde levar o lixo”, explica a chefe do Departamento de Programas Especiais da SLU, Aurora Pederzoli. Segundo ela, houve época em que parte do lixo da coleta seletiva precisou ser despejado em aterro sanitário, porque não cabia nas cooperativas. O problema foi solucionado em julho, quando ficou pronto um novo galpão. “Apesar da pressão da sociedade, ainda é cedo para falar em ampliação. São necessárias mais cooperativas ou outras opções, como a produção de energia a partir desse lixo, para estendermos o projeto. A prefeitura está estudando o que fazer”, relata Aurora.

DEMANDA

O primeira região a receber a coleta seletiva de porta em porta foi o Bairro Serra, na Região Centro-Sul. “Começamos o projeto com os moradores, em 2003, depois que a comunidade se mobilizou. Fizemos uma adequação em um caminhão da SLU e passamos a recolher o lixo reciclável. Fomos estendendo o programa pouco a pouco, de acordo com a demanda”, diz Aurora. O Buritis, na Região Oeste, é um dos bairros privilegiados pela coleta. A aposentada Maria Tereza Barros, de 54, aderiu à proposta. “Sempre deixo à vista um papel com as orientações sobre a separação ideal para não confundir. A prefeitura deveria estender esse programa, porque mudei de hábito depois que foi implantado. É uma maneira de orientar a população”, defende.

Além do projeto que recolhe lixo reciclável na porta de casas e prédios, a prefeitura tem 120 contêineres instalados pela cidade. Cada conjunto desses compartimentos é chamado local de entrega voluntária (LEV). Curitiba, capital do Paraná, já não precisa dessa alternativa para atrair os moradores e é exemplo de cidade que conseguiu implantar a coleta seletiva em 100% de seu território.

Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Curitiba, o projeto foi desenvolvido ao longo de 20 anos. Em 98% dos bairros, os caminhões da equipe de limpeza fazem a coleta. Já para bairros mais afastados da região central, a prefeitura criou o programa Câmbio ambiental: moradores juntam o lixo reciclável e, a cada dois quilos entregues, recebem um quilo de alimento. Já o problema da destinação foi resolvido por meio de uma parceria com uma organização não governamental, que disponibiliza uma usina para triagem do material recolhido.

A vantagem do papel reciclado

set 9th, 2010No Comments

Matéria publicada no site:

www.oecocidades.com

por Eduardo Pegurier – Publicada em 09 de Junho de 2010

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Tira o papel do lixo! – foto: Leo Freitas

Papel reciclado custa menos? De acordo com estudo do IPEA, publicado em maio, a resposta é um sonoro sim: há um ganho líquido de 241 reais por cada tonelada de papel reciclado produzido.

Esse resultado pode ser dividido em 3 categorias:

  • Ganhos diretos da produção: iguais ao custo das matérias primas usadas na produção de papel primário menos o custo das matérias-primas usados no reciclado. O primeiro valor é de R$687 por tonelada, contra apenas R$357/ton. para o papel reciclado, uma vantagem de R$330.
  • Redução do impacto ambiental: cortes nas emissões de gases do efeito estufa, consumo de água, ocupação do solo e perda de biodiversidade. Eles foram estimados em R$24 por tonelada a favor, claro, do papel reciclado.
  • Coleta e disposição: reciclar reduz a quantidade de lixo aterrado. Para o papel, essa economia foi calculada em R$23 por tonelada. Em compensação, a coleta seletiva é bem mais cara. Ela custa R$216 contra R$80 da coleta regular, ou R$136 a mais. Em termos líquidos, nesse item o papel reciclado tem desvantagem de R$113 por tonelada.

Somando tudo, chegamos aos ganhos de R$241 do início, equivalentes a uma redução de 35% em relação aos R$687/ton. do custo da produção do papel primário — veja cada etapa na tabela abaixo. Fica a pergunta: por que, em geral, o preço final do papel reciclado é maior?

Lixo ganha importância econômica como fonte de matéria-prima secundária

set 3rd, 2010No Comments

Matéria publicada no site:

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5942514,00.html

por Monika Lohmüller - Publicada em 31 de Agosto de 2010

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A separação do lixo não traz benefícios apenas ao meio ambiente: a gestão dos resíduos passou a ser importante fonte de matéria-prima para a indústria. No cenário de escassez de recursos naturais, reciclar dá lucro.

Separação do lixo: fonte rica de matéria-prima

O elemento químico índio, indispensável para a fabricação de telas planas e touch screens, é raro na natureza. Especialistas calculam que as reservas do elemento suprirão as necessidades de consumo por apenas mais seis a dez anos.

Também o petróleo, importante para o fornecimento de energia e base da indústria do plástico, deverá se esgotar nas próximas seis ou sete décadas. Outro recurso natural, o cobre, essencial para a fabricação de aparelhos eletrônicos, por exemplo, deverá também se extinguir nos próximos 30 anos.

“Precisamos entender que os recursos naturais são esgotáveis”, lembra Jörg Lacher, da Confederação Alemã de Matérias-Primas Secundárias e Eliminação de Resíduos. Essa realidade de recursos esgotáveis é perceptível no aumento dos preços das matérias-primas, cuja demanda cresce em função do desenvolvimento econômico de países emergentes, como a China e a Índia, por exemplo.

Neste contexto, o reaproveitamento da matéria-prima torna-se uma tarefa cada vez mais interessante. “Quando queimamos levianamente matérias-primas, principalmente onde elas ainda poderiam ser usadas, ou seja, recicladas, estamos sendo imediatistas, sem conduzirmos uma economia sustentável”, diz Lacher.

Lixo: recurso importante

No caso da Alemanha, país pobre em recursos naturais e grande exportador mundial de produtos industrializados, o

reaproveitamento é imprescindível. Diante da oferta de recursos naturais cada vez mais escassa, fica claro não só para a Alemanha, mas para o mundo todo, que o lixo será o recurso mais importante no futuro.

Gesso é obtido em processo de reaproveitamento

Nas residências alemãs, a separação do lixo é feita cuidadosamente já há algumas décadas. Inicialmente ridicularizados, os contêineres de cores azul, amarelo, preto e verde ganharam espaço na Europa e no resto do mundo. O jornal velho, por exemplo, pode se transformar em papel novo; o lixo orgânico gera gás. Os detritos eletrônicos transformam-se em tesouros.

A empresa Remondis é uma das gigantes na gestão de resíduos. Sediada na cidade de Lünen, no oeste alemão, ela dispõe de instalações voltadas para a separação do lixo e localização de matérias-primas de valor.

Michael Schneider, assessor de imprensa da Remondis, diz que o lixo eletrônico é uma verdadeira mina de materiais. Aparelhos eletrônicos,  computadores e teclados são feitos de diferentes materiais, conectados uns aos outros, como plástico, metal e metais preciosos.

“Esses materiais são triturados até que os componentes se desagregam uns dos outros. No fim desse processo, é possível ver como cada matéria-prima secundária, como o cobre, metais ferrosos e não-ferrosos, é borrifada sobre uma bandeja coletora, para depois seguir direto para a fusão na indústria do aço”, descreve Schneider.

Resto eletrônico

A Remondis é o maior centro de reciclagem industrial na Europa, segundo Michael Schneider. A empresa recolhe, por exemplo, metal ferroso, cobiçado pela indústria do aço, um material que pode ser 100% reaproveitado como metal puro.

Laboratório de reaproveitamento de lixo: instalações modernas

Segundo Schneider, “fazemos de tudo para reaproveitar o lixo eletrônico. Isso faz sentido do ponto de vista ambiental, pois temos as instalações mais modernas da Europa para tal”. Além disso, diz ele, reciclar traz também vantagens às nações emergentes, já que, não fosse o reaproveitamento, boa parte desse lixo eletrônico poderia acabar sendo enviado ilegalmente a outros países.

A demanda global por metais especiais e raros irá triplicar até o ano de 2030, segundo especialistas. A justificativa está no aumento do uso de metais como lítio, índio, tântalo, germânio – utilizados na produção de módulos fotovoltaicos, baterias de carros elétricos, cabos de fibras óticas e outras tecnologias de ponta.

Da biomassa à preparação do gesso

Na sede da Remondis em Lünen, diferentes processos de reciclagem são realizados em vários grandes armazéns: além daquela do lixo eletrônico, o gesso obtido da dessulfurização de gases em usinas elétricas é preparado para ser reutilizado na indústria de material de construção.

A Remondis possui também uma usina de biomasa, na qual resíduos de madeira são reciclados. “É energia suficiente para abastecer a cidade de Lünen e a nossa própria fábrica. E também somos neutros em emissões de CO2 e auto-suficientes em energia”, comemora Schneider.

Quando há crescimento econômico, diz ele, a mesma tendência é observada na empresa: quando o consumo aumenta, a quantidade de lixo  também cresce. Ou seja, a reciclagem acaba sendo uma espécie de indicador primário da conjuntura. Este ano, isso foi bastante visível, observa Schneider.

Grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo, por exemplo, acabam estimulando o setor da reciclagem: “Quando vão começar eventos esportivos de grande alcance, as pessoas tendem a trocar a antiga televisão por uma nova, e isso, para nós, significa reciclagem de lixo eletrônico, significa que teremos um volume maior de telas antigas a serem recicladas”, fala Schneider.

“Boom” do setor de reciclagem

O setor está diante de anos de franca expansão, pois o reaproveitamento do lixo se transforma cada vez mais em um mercado

milionário. A enorme demanda dos países emergentes da Ásia e da América Latina por matéria-prima não pode ser suprida somente pelos recursos naturais. Por isso, a matéria-prima secundária é a chave para o futuro.

Lixo eletrônico: grandes quantidades de resíduos

Os celulares, por exemplo, são uma fonte praticamente inesgotável: “Cada celular tem aproximadamente 23 miligramas de ouro, em média. No mundo inteiro, cerca de 1,3 bilhão de celulares são produzidos por ano. Desses, apenas 10% são, de fato, reciclados. Isso quer dizer que a humanidade joga, a cada ano, cerca de 20 a 22 toneladas de ouro no lixo”, ressalta Schneider.

Hoje, políticos e representantes da indústria de gestão de resíduos discutem quem deverá  comercializar o lixo no futuro. Até agora, na Alemanha, essa tarefa tem sido assumida pelos municípios e por empresas privadas.

A discussão em torno de um reaproveitamento de resíduos coordenado pelos municípios (e não pela iniciativa privada) é vista por Schneider  como uma tentativa de tornar ideológico um debate desnecessário, pois, segundo ele, a cooperação entre instâncias pública e privada neste  sentido tem funcionado, até agora, perfeitamente.

“Ao observarmos a divisão de competências na gestão de resíduos na Alemanha, percebemos que 93% do volume de negócios do setor está nas mãos da iniciativa privada, que separa, armazena, recicla e recoloca em circulação aquilo que um dia foi lixo”, conclui Schneider.

No momento, o governo alemão trabalha no aperfeiçoamento de uma legislação que regulamenta a gestão de resíduos, pois é de interesse da Comissão Europeia que o setor funcione de acordo com a economia de mercado

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