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Resíduos sólidos: regulamentação começa a sair do papel
Com a aprovação e a regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, no ano passado, começou a corrida contra o tempo. Neste mês, está prevista a criação de um comitê orientador ministerial, que deverá estabelecer as regras para a implementação da logística reversa. E, até dia 21 de junho, as diretrizes do Plano Nacional de Resíduos Sólidos deverão ser definidas. O mesmo deve ocorrer no âmbito dos estados e municípios.
A regulamentação da PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos*, esperada por 21 anos, começa a sair do papel, após a publicação do Decreto nº 7.404, de dezembro do ano passado. Silvano Silvério da Costa, secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do MMA – Ministério do Meio Ambiente, informou que seria formado o comitê orientador da política da logística reversa, até o último dia 17. Seria constituído por cinco ministérios, entre eles, o próprio MMA. A pasta coordenará os trabalhos, para que os parâmetros sejam estabelecidos no país. O instrumento é destinado a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação ambientalmente adequada.
Os segmentos que obrigatoriamente integrarão o processo são os de agrotóxicos, eletroeletrônicos e seus componentes, lâmpadas fluorescentes, óleos lubrificantes e seus resíduos e embalagens, pilhas e baterias e pneus.
“O objetivo é lançar um edital, no qual se estabelecerá metas, atores envolvidos, prazo para os acordos setoriais a serem estabelecidos, além de metodologia do impacto social, se vai ser com municípios, catadores ou outras partes interessadas. Depois haverá consulta pública. Não deverá haver a formação de monopólios”, explicou Silvério da Costa durante o encontro “Política Nacional de Resíduos Sólidos e a Lei Municipal dos Grandes Geradores – Da Regulamentação à Prática”, realizado pela Fecomercio em São Paulo. Somente depois desse processo, serão finalizadas as regras da logística reversa no país.
“A responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto é de fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e titulares de serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. Visa a minimização de resíduos e seus impactos”, diz. Todo o esforço será voltado para reutilização e reciclagem, segundo o secretário. “Se não houver iniciativa dos setores para contribuir nos acordos, o próprio governo tomará a iniciativa de decidir sobre a implementação”, alertou.
Silvério da Costa disse que, hoje, 37% dos resíduos são secos; 70% úmidos, o que significa que podem ser direcionados à compostagem, e o restante são rejeitos, que não podem ser reaproveitados. O maior desafio para a implementação da nova legislação será o país não ter mais nenhum lixão e os aterros absorverem só rejeitos – que não sejam reutilizáveis ou recicláveis -, até o dia 2 de agosto de 2014 (prazo estipulado pela legislação).
“O Brasil gasta R$ 8 bilhões por não reciclar o que tem de ser reciclado, segundo estudo do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada”. Na avaliação do secretário, o melhor caminho para a criação de aterros são é meio dos consórcios intermunicipais. “Em 18 estados brasileiros, já está sendo estudada a regionalização”.
Para que tudo isso aconteça, mais um desafio a ser superado será de até 21 de junho haver a implementação do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, como também, no âmbito dos Estados, consórcios municipais e municípios.
Publicado em: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/lixo/residuos-solidos-regulamentacao-comeca-sair-papel-617502.shtml
Destinação adequada para os resíduos sólidos
Construtoras e municípios terão dois anos para se adequar à nova legislação que estabelece responsabilidade compartilhada sobre os resíduos produzidos pela construção civil
Os resíduos e entulhos que os canteiros de obras causam transformam o setor da construção civil em um dos principais responsáveis pela poluição do meio ambiente. Felizmente, um projeto de lei que tramitava há cerca de duas décadas foi aprovado e a responsabilidade pelo destino dos resíduos sólidos passa a ser compartilhada entre população, poder público e setor empresarial.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto e que seria regulamentada no último mês de novembro, é considerada o marco regulatório na questão ambiental e disciplina a gestão integrada. Uma das campeãs na produção de detritos, a construção civil é responsável por cerca de 50% dos resíduos sólidos urbanos, de acordo com o Ministério das Cidades.
Para a construção civil, a lei reforça a tese de sustentabilidade já implantada com a Resolução 307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), em vigor desde o início de 2003.
Segundo o sócio-diretor da Eccox Ambiental, João Ricardo Magalhães Gonçalves, a lei representa uma vitória ambiental e também será responsável por uma economia considerável no setor. “Os resíduos de três prédios poderiam construir um outro. O desperdício é de 1/3 do material que, além de ser dinheiro jogado fora, ocupa desnecessariamente os aterros sanitários”, define.
De acordo com Gonçalves, com os resíduos da construção civil destinados corretamente, os ganhos para o município serão notados em vários setores. “Sem os detritos da construção civil, os aterros sanitários receberão metade do que recebem. Teremos ganhos ambientais, econômicos e na saúde urbana”, disse.
Minas Gerais é um dos Estados mais avançados no que exige a nova legislação, mas ainda precisa estabelecer o plano estadual para destinação adequada de resíduos sólidos.
Troca
Uma maneira inteligente e que pode resolver parte do problema da destinação de resíduos é a utilização de bancos de dados para troca de materiais reaproveitáveis. Desde 2006 a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) oferece o Bolsa de Recicláveis (www.bolsadereciclaveis.com.br) que forma um banco de dados com demandas e ofertas de materiais recicláveis.
Uma das opções do banco de dados é o banco de terras. Por meio dele, o responsável pela obra pode cadastrar o volume de desaterro que a obra irá produzir. O sistema armazena os dados e permite que alguém que vá precisar de terra para a obra possa entrar em contato, favorecendo assim o reaproveitamento de materiais.
Por meio do portal, além do banco de terras, as construtoras podem fazer uso de outras duas categorias que servem à construção civil: agregado reciclado e banco de entulho, para diversos tipos de resíduos sólidos.
Selo
A sociedade está atenta a questões de preservação ambiental e, segundo o consultor técnico do Sindicato das Indústrias de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Roberto Matozinhos, a postura adequada tende a chamar clientes. “O consumidor sabe da necessidade de mudança e certamente este fator será relevante na hora da compra”, disse.
A comprovação da preocupação ambiental das construtoras poderá ser feita por meio da Etiqueta Nacional de Conservação e Energia (Ence). Lançada pelo Inmetro, a etiqueta vai funcionar de maneira semelhante à já aplicada em alguns eletrodomésticos avaliando iluminação, sistema de ar condicionado e a área que separa a construção do meio externo (cobertura e fachada). Com a Ence também será possível visualizar o potencial de economia de energia.
Modifado. Publicado em: http://www.otempo.com.br/jornalpampulha/noticias/?IdEdicao=220&IdCanal=14&IdSubCanal=&IdNoticia=6942&IdTipoNoticia=1




