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Emperrada no Brasil, Lei de Energias Renováveis é aprovada na Califórnia

mar 14th, 2011No Comments

Senado da Califórnia aprovou lei proposta por Joe Simitian; No Brasil, Greenpeace protestou contra demora para votar projeto semelhante/Montagem sobre foto do Senado da Califórnia e Antonio Cruz/ABr

O Senado do Estado da Califórnia (EUA) aprovou na quinta-feira, 24 de fevereiro, uma medida que obriga empresas de utilidade pública a comprar 33% da eletricidade que utilizam por meio de fontes renováveis até 2020. O projeto de lei do senador democrata Joe Simitian segue agora para Assembleia Legislativa. Enquanto isso, no Brasil, ambientalistas do Greenpeace protestavam em Brasília em favor da votação do Projeto de Lei de Renováveis, que já tramita há um ano e meio.

Na Califórnia, os defensores da nova lei argumentam que ela vai ajudar a recuparar a economia ao criar novos empregos, além de atingir metas ambientais. “É uma medida que pode nos ajudar, em curto prazo, a tornar o ar mais limpo e a mitigar os efeitos das mudanças climáticas. E podemos, desde já, começar a criar os empegos de que o estado precisa desesperadamente”, destacou Simitian ao The New York Times.

O projeto de lei obteve 26 votos a favor e 11 contra. Os opositores alegam que ele pode aumentar os custos com energia – o que significa contas mais altas para os usuários residenciais e as empresas. O senador republicano Bob Huff argumentou que o custo adicional que será incorporado às transações comerciais irá levar mais companhias a transferir os empregos gerados para fora do Estado.

A Califórnia já havia estipulado para as empresas públicas a meta de 20% da eletricidade oriunda de fontes renováveis até 2010, mas algumas não conseguiram atingi-la.

Uma medida similar à de Simitian havia sido vetada pelo então governador Arnold Schwarzenegger, que afirmou que ela sucumbiria à burocracia, mas os legisladores fizeram ajustes e têm esperança de que a proposta receba o apoio do atual governador, Jerry Brown, um democrata.

“Energia limpa. Voto no futuro”

Em Brasília, uma torre de energia eólica inflável de 25 metros foi colocada em frente ao prédio do Congresso, também na quinta-feira. O Projeto de Lei de Renováveis brasileiro incentiva e regulamenta investimentos em energia limpa como eólica, solar, pequenas centrais elétricas (PCHs) e usinas de cogeração a biomassa.

A turbina artificial trazia estampada a frase “Energia limpa. Voto no futuro”, e ficou “hasteada” em frente ao Congresso a partir das 9h, onde dez ativistas permaneceram por duas horas. Houve repressão inicial dos seguranças do prédio, que tentaram rasgar o plástico do objeto inflável. “Estamos acostumados com esse tipo de repressão. Depois eles acalmaram e não encostaram mais nos ativistas”, relatou ao EstadãoRicardo Baitelo, coordenador de campanha de energia do Greenpeace.

No final da manhã, Baitelo protocolou o relatório Revolução Energética na presidência da Câmara, estudo que mostra a viabilidade de energias renováveis no Brasil.

O PL 630/03, ou Projeto de Lei de Renováveis, é um texto proposto pelo deputado Fernando Ferro (PT-PE), que prevê, entre outras medidas, incentivos fiscais e subsídios para quem investe em energia limpa e a descentralização da geração de energia, por meio da qual os brasileiros, individualmente, possam gerar energia em suas próprias casas e jogar o excedente na rede elétrica.

“Não é um projeto fácil de ser implementado, mas abre caminho para beneficiar várias indústrias de forma limpa. Infelizmente, ainda há muita resistência ao novo: investe-se nas soluções energéticas de praxe, com esquemas prontos de quais indústrias e políticos vão tirar vantagem”, criticou Baiterlo, referindo-se à licença prévia para Belo Monte e à “tradição” brasileira em construir grandes empreendimentos hidrelétricos.

Publicado em: http://www.ecodesenvolvimento.org.br/posts/2011/fevereiro/emperrada-no-brasil-lei-de-energias-renovaveis-e

Embaixada da Itália vira usina de energia verde

fev 28th, 2011No Comments

Brasília já tem sua primeira Embaixada Verde. Equipada com painéis solares, a sede diplomática da Itália deve conquistar autonomia energética em breve e ainda pode contribuir para o abastecimento da rede elétrica da cidade.

A Embaixada da Itália, em Brasília, apresentou no último dia 9, um projeto pioneiro no país, batizado de Embaixada Verde, no qual a sede diplomática pretende, em um curto período, conquistar autonomia energética a partir de fontes renováveis e limpas. Para isso, foram instalados 405 painéis solares na cobertura de 4 mil metros quadrados do prédio, que poderão gerar 86 MWh por ano. A maior novidade é que a planta solar está conectada à rede elétrica da cidade, podendo repassar a energia excedente não-consumida para a Companhia Energética de Brasília (CEB).

Trata-se de um projeto-piloto em parceria com a Enel, gigante italiana do setor elétrico. “Nesse sistema não há baterias, o que torna o processo mais barato. Há na verdade uma troca: a energia excedente é entregue à rede para ser usada pela CEB, que ‘restitui’ essa energia para a embaixada à noite. No final de cada mês, é feito um acerto econômico pela diferença entre o que foi gerado e o que foi consumido”, informou Henrique de Las Morenas, gerente geral da Enel Green Power para o Brasil, durante a apresentação. Estima-se que a planta solar exporte 8 MW/h por ano.

A iniciativa surgiu a partir da preocupação com a conta de luz, como revelou o embaixador Gherardo La Francesca. “Quando cheguei ao Brasil e fiquei a par de toda a administração, me espantei com a conta de energia elétrica. Chegamos a fazer um estudo técnico de implantação de energia solar, mas era muito caro. Conseguimos, então, a parceria com o Grupo Enel e a autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para esse projeto. Parte do custo de implantação será pago com a economia na conta de energia”, disse ele, que espera ver o projeto replicado em função da sua viabilidade técnica e financeira.

Também faz parte do projeto da Embaixada Verde a utilização de um carro elétrico desenvolvido pela Itaipu Binacional, em parceria com a Fiat. Ele ficará a serviço do embaixador e será abastecido com a energia produzida pelos painéis solares. “O carro será experimentado em seu uso urbano e passaremos os dados para os desenvolvedores. A embaixada se tornou um grande centro de pesquisa”, explicou La Francesca.

DE CONSUMIDOR A PRODUTOR
A microgeração distribuída de energia, como é chamado esse sistema, é algo comum na Europa e nos Estados Unidos, mas ainda inédito no Brasil. Na Itália, os consumidores que têm painéis solares em suas casas podem vender a energia extra que produzem para as companhias de energia elétrica e, assim, ter descontos na conta de luz ou mesmo receber um dinheirinho extra, além de proporcionar ganhos para o meio ambiente.

O coração do sistema é o uso de um medidor eletrônico bidirecional, capaz de medir tanto a energia consumida quanto a produzida. “O projeto ‘Embaixada Verde’ é rico pelo efeito prático de demonstração de como isso é possível também no Brasil”, afirma Nelton Miguel Friedrich, Diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu Binacional.

No Brasil, todos os medidores são analógicos e aferem apenas o consumo. “Até o final de 2012, queremos implementar um programa nacional de substituição dos medidores para que toda nova unidade de consumo tenha os equipamentos eletrônicos”, afirmou André Pepitone da Nóbrega, diretor da Aneel.

Ter vários pequenos produtores de energia integrados traz inúmeros benefícios, segundo especialistas:
- reduz a sobrecarga das redes,
- melhora o nível de tensão nos momentos de pico,
- diversifica a matriz energética,
- reduz as perdas e o impacto ambiental e
- aumenta a confiabilidade no sistema.

“Já temos tecnologia para isso, mas falta regulamentação no Brasil. Por enquanto, o sistema não é viável para os pequenos consumidores porque a implantação técnica ainda é mais cara do que a energia gerada, mas acreditamos que isso mudará logo, pois o custo da energia solar tem caído muito e o Brasil oferece grande potencial”, salientou Morenas.

De fato, o grande nó para a implementação dessa nova realidade, que poderá impulsionar a energia solar no país, é a falta de leis que regulem as energias limpas e a conexão dos geradores de pequeno porte para criar “redes inteligentes”. Segundo Nóbrega, da Aneel, já estão sendo feitas audiências e consultas públicas para estabelecer um marco regulatório para o setor, mas ainda sem prazo para qualquer definição.

O Brasil é considerado um dos países com maior potencial de exploração da energia solar por reunir alto nível de insolação – cerca de sete horas por dia – e alta tarifa ao consumidor final, o que viabiliza os investimentos.

Durante o seminário realizado para apresentar o projeto Embaixada Verde, o professor Ricardo Rüther, coordenador do Grupo de Pesquisa Estratégica em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina, fez uma comparação do aproveitamento energético de todo o sol que brilha no nosso território: a água do lago de Itaipu, com 1350 km², é capaz de produzir 14 GW/ano; se painéis solares ocupassem a mesma área, produziriam 108 GW/ano.

Publicado em: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/embaixada-verde-italia-brasil-energia-solar-renovavel-limpa-618465.shtml

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