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Complexo eólico da Bahia será o maior do Brasil, afirma Renova Energia

mar 16th, 2011No Comments

Pedra fundamental foi lançada no Sudoeste baiano/Foto: Elói Corrêa/Agecom

As obras de 14 parques eólicos na região de Guanambi, no Sudoeste baiano começaram no dia 24 de fevereiro, quando a pedra fundamental do projeto foi lançada na BA-936, rodovia de acesso ao distrito de Morrinhos, no interior do município.

A expectativa da Renova, empresa de energia vencedora do leilão, é que sejam investidos R$ 1,17 bilhão na construção dos parques eólicos que, além de Guanambi, contemplam os municípios de Caetité e de Igaporã. Juntos, os três municípios contabilizam um PIB (Produto Interno Bruto) aproximado de R$ 750 milhões, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo o diretor da Renova Energia, Renato Amaral, o empreendimento será o maior complexo eólico do Brasil. “Já conhecíamos o potencial eólico da região e consideramos um dos melhores locais do mundo para esse tipo de produção energética”, destacou o executivo à Agecom.

“Isso vai fortalecer a engenharia brasileira e a Bahia, reforçando nossa privilegiada posição no cenário internacional. A previsão é que no início de julho de 2012 já estejamos produzindo energia”, projetou Amaral. Segundo ele, a energia produzida na primeira fase deverá atender a 500 mil residências, ou aproximadamente dois milhões de habitantes.

Energia limpa e geração de empregos

A partir de junho, os equipamentos que irão compor os três complexos começam a chegar às respectivas localidades via Porto de Ilhéus. O Instituto do Meio Ambiente (IMA) já autorizou a construção dos 14 parques eólicos, que contarão com 184 máquinas aerogeradoras (cataventos) instaladas em três complexos nos municípios de Guanambi, Caetité e Igaporã.

Região onde o parque eólico será instalado/Foto: Elói Corrêa/Agecom

As máquinas terão 80 metros de altura. Somente as pás (hélices) terão 40 metros cada. Uma réplica dos cataventos, 53 vezes menor que o original, foi apresentada durante o lançamento das obras. Deverão ser gerados mil empregos diretos e outros 2000 indiretos.

Desde o início de fevereiro, 100 funcionários estão trabalhando no local. Marcos de Oliveira Silva saiu de Porto Seguro para trabalhar no projeto. “Tem sido ótimo trabalhar aqui. Uma oportunidade de crescer na vida. Meu objetivo é crescer na empresa”.

A produção de energia eólica é considerada uma fonte limpa (ao contrário dos combustíveis fósseis) e inesgotável. Os contratos de compra e venda de energia foram formalizados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e têm prazo de 20 anos. Inicialmente, cerca de 500 proprietários rurais da região que terão parte das terras arrendadas, serão contemplados com o projeto. No auge da produção energética, o número de empresários rurais poderá chegar a um mil.

“Vamos produzir energia que estimula o desenvolvimento da Bahia e contemplar os produtores que receberão recursos. É fundamental que esta energia seja produzida no Semiárido baiano. O investimento integra a nossa política de descentralização de investimentos”, observou a secretária da Casa Civil, Eva Chiavon. Até 2014, a Bahia deverá ter mais de 34 parques eólicos que, quando estiverem em funcionamento, terão a capacidade de gerar de 977,4 MW, o suficiente para abastecer cerca de quatro milhões de residências.

O governador da Bahia em exercício (Jaques Wagner está na Coreia do Sul), Otto Alencar, informou que em julho deste ano será inaugurado o primeiro parque eólico do estado, na Chapada Diamantina, que, segundo ele, “terá capacidade para produzir 90 Mega Watts de energia, auxiliando no desenvolvimento de Brotas de Macaúbas e outros municípios da região”.

Publicado em: http://www.ecodesenvolvimento.org.br/posts/2011/fevereiro/complexo-eolico-da-bahia-sera-o-maior-do-brasil

Embaixada da Itália vira usina de energia verde

fev 28th, 2011No Comments

Brasília já tem sua primeira Embaixada Verde. Equipada com painéis solares, a sede diplomática da Itália deve conquistar autonomia energética em breve e ainda pode contribuir para o abastecimento da rede elétrica da cidade.

A Embaixada da Itália, em Brasília, apresentou no último dia 9, um projeto pioneiro no país, batizado de Embaixada Verde, no qual a sede diplomática pretende, em um curto período, conquistar autonomia energética a partir de fontes renováveis e limpas. Para isso, foram instalados 405 painéis solares na cobertura de 4 mil metros quadrados do prédio, que poderão gerar 86 MWh por ano. A maior novidade é que a planta solar está conectada à rede elétrica da cidade, podendo repassar a energia excedente não-consumida para a Companhia Energética de Brasília (CEB).

Trata-se de um projeto-piloto em parceria com a Enel, gigante italiana do setor elétrico. “Nesse sistema não há baterias, o que torna o processo mais barato. Há na verdade uma troca: a energia excedente é entregue à rede para ser usada pela CEB, que ‘restitui’ essa energia para a embaixada à noite. No final de cada mês, é feito um acerto econômico pela diferença entre o que foi gerado e o que foi consumido”, informou Henrique de Las Morenas, gerente geral da Enel Green Power para o Brasil, durante a apresentação. Estima-se que a planta solar exporte 8 MW/h por ano.

A iniciativa surgiu a partir da preocupação com a conta de luz, como revelou o embaixador Gherardo La Francesca. “Quando cheguei ao Brasil e fiquei a par de toda a administração, me espantei com a conta de energia elétrica. Chegamos a fazer um estudo técnico de implantação de energia solar, mas era muito caro. Conseguimos, então, a parceria com o Grupo Enel e a autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para esse projeto. Parte do custo de implantação será pago com a economia na conta de energia”, disse ele, que espera ver o projeto replicado em função da sua viabilidade técnica e financeira.

Também faz parte do projeto da Embaixada Verde a utilização de um carro elétrico desenvolvido pela Itaipu Binacional, em parceria com a Fiat. Ele ficará a serviço do embaixador e será abastecido com a energia produzida pelos painéis solares. “O carro será experimentado em seu uso urbano e passaremos os dados para os desenvolvedores. A embaixada se tornou um grande centro de pesquisa”, explicou La Francesca.

DE CONSUMIDOR A PRODUTOR
A microgeração distribuída de energia, como é chamado esse sistema, é algo comum na Europa e nos Estados Unidos, mas ainda inédito no Brasil. Na Itália, os consumidores que têm painéis solares em suas casas podem vender a energia extra que produzem para as companhias de energia elétrica e, assim, ter descontos na conta de luz ou mesmo receber um dinheirinho extra, além de proporcionar ganhos para o meio ambiente.

O coração do sistema é o uso de um medidor eletrônico bidirecional, capaz de medir tanto a energia consumida quanto a produzida. “O projeto ‘Embaixada Verde’ é rico pelo efeito prático de demonstração de como isso é possível também no Brasil”, afirma Nelton Miguel Friedrich, Diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu Binacional.

No Brasil, todos os medidores são analógicos e aferem apenas o consumo. “Até o final de 2012, queremos implementar um programa nacional de substituição dos medidores para que toda nova unidade de consumo tenha os equipamentos eletrônicos”, afirmou André Pepitone da Nóbrega, diretor da Aneel.

Ter vários pequenos produtores de energia integrados traz inúmeros benefícios, segundo especialistas:
- reduz a sobrecarga das redes,
- melhora o nível de tensão nos momentos de pico,
- diversifica a matriz energética,
- reduz as perdas e o impacto ambiental e
- aumenta a confiabilidade no sistema.

“Já temos tecnologia para isso, mas falta regulamentação no Brasil. Por enquanto, o sistema não é viável para os pequenos consumidores porque a implantação técnica ainda é mais cara do que a energia gerada, mas acreditamos que isso mudará logo, pois o custo da energia solar tem caído muito e o Brasil oferece grande potencial”, salientou Morenas.

De fato, o grande nó para a implementação dessa nova realidade, que poderá impulsionar a energia solar no país, é a falta de leis que regulem as energias limpas e a conexão dos geradores de pequeno porte para criar “redes inteligentes”. Segundo Nóbrega, da Aneel, já estão sendo feitas audiências e consultas públicas para estabelecer um marco regulatório para o setor, mas ainda sem prazo para qualquer definição.

O Brasil é considerado um dos países com maior potencial de exploração da energia solar por reunir alto nível de insolação – cerca de sete horas por dia – e alta tarifa ao consumidor final, o que viabiliza os investimentos.

Durante o seminário realizado para apresentar o projeto Embaixada Verde, o professor Ricardo Rüther, coordenador do Grupo de Pesquisa Estratégica em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina, fez uma comparação do aproveitamento energético de todo o sol que brilha no nosso território: a água do lago de Itaipu, com 1350 km², é capaz de produzir 14 GW/ano; se painéis solares ocupassem a mesma área, produziriam 108 GW/ano.

Publicado em: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/embaixada-verde-italia-brasil-energia-solar-renovavel-limpa-618465.shtml

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