BH não tem infraestrutura para ampliar triagem de lixo
Matéria publicada no:
por Amanda Almeida – Publicada em 04 de Agosto de 2010
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Espalhados por vários locais da cidade, os 120 contêineres de entrega voluntária de material reciclável não atendem à grande demanda |
Atenta às orientações de ambientalistas, a aposentada Marisa Moreno, de 56 anos, estabeleceu uma regra em casa: plástico, metal, papel e vidro devem ser separados do lixo orgânico. Mas ela tem a sensação de que o esforço não é compartilhado pelo poder público e o meio ambiente não é favorecido com a contribuição dela. “Não adianta nada separar, se a prefeitura volta a misturar o lixo em aterros. Já pedimos à Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) para fazer a coleta seletiva aqui, mas não tivemos retorno”, diz. Ela mora no Coração Eucarístico, na Região Noroeste de Belo Horizonte, um dos 677 bairros e vilas da capital que não recebem o programa Coleta seletiva porta a porta, da SLU. Apenas 30 bairros e vilas, ou 4,2%, a maioria na Região Centro-Sul, são atendidos.
Na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10). Entre outras novidades, a norma garante incentivos, como recursos da União, aos municípios que implantam coleta seletiva e responsabiliza também a sociedade civil pela separação do lixo. Apesar de a nova regra já ter entrado em vigor, Belo Horizonte ainda não tem estrutura para ampliar seu programa de recolhimento de materiais recicláveis, segundo a SLU. Das 3,5 mil toneladas de lixo produzidas diariamente, apenas 20 toneladas são encaminhadas a cooperativas de catadores de lixo.
“O grande problema é a saturação das sete cooperativas que têm parceria com a prefeitura. Não há mais espaço para armazenar o lixo e fazer a triagem. Não adianta estendermos o programa, se não temos para onde levar o lixo”, explica a chefe do Departamento de Programas Especiais da SLU, Aurora Pederzoli. Segundo ela, houve época em que parte do lixo da coleta seletiva precisou ser despejado em aterro sanitário, porque não cabia nas cooperativas. O problema foi solucionado em julho, quando ficou pronto um novo galpão. “Apesar da pressão da sociedade, ainda é cedo para falar em ampliação. São necessárias mais cooperativas ou outras opções, como a produção de energia a partir desse lixo, para estendermos o projeto. A prefeitura está estudando o que fazer”, relata Aurora.
DEMANDA
O primeira região a receber a coleta seletiva de porta em porta foi o Bairro Serra, na Região Centro-Sul. “Começamos o projeto com os moradores, em 2003, depois que a comunidade se mobilizou. Fizemos uma adequação em um caminhão da SLU e passamos a recolher o lixo reciclável. Fomos estendendo o programa pouco a pouco, de acordo com a demanda”, diz Aurora. O Buritis, na Região Oeste, é um dos bairros privilegiados pela coleta. A aposentada Maria Tereza Barros, de 54, aderiu à proposta. “Sempre deixo à vista um papel com as orientações sobre a separação ideal para não confundir. A prefeitura deveria estender esse programa, porque mudei de hábito depois que foi implantado. É uma maneira de orientar a população”, defende.
Além do projeto que recolhe lixo reciclável na porta de casas e prédios, a prefeitura tem 120 contêineres instalados pela cidade. Cada conjunto desses compartimentos é chamado local de entrega voluntária (LEV). Curitiba, capital do Paraná, já não precisa dessa alternativa para atrair os moradores e é exemplo de cidade que conseguiu implantar a coleta seletiva em 100% de seu território.
Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Curitiba, o projeto foi desenvolvido ao longo de 20 anos. Em 98% dos bairros, os caminhões da equipe de limpeza fazem a coleta. Já para bairros mais afastados da região central, a prefeitura criou o programa Câmbio ambiental: moradores juntam o lixo reciclável e, a cada dois quilos entregues, recebem um quilo de alimento. Já o problema da destinação foi resolvido por meio de uma parceria com uma organização não governamental, que disponibiliza uma usina para triagem do material recolhido.
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