FUGERE URBEM E A GESTÃO TERRITÓRIO-AMBIENTAL
Fugere urbem é uma expressão em latim que significa: ” “fugir da cidade” que foi adotada como lema pela literatura árcade para simbolizar o poeta literário que se desloca da vida agitada e corrida da cidade e vai para a calma zona rural”.
Considerando os dias atuais, uma análise mais superficial dos fatos e processos sociais certamente resultaria na afirmação de que essa expressão está desatualizada e não mais se aplica em nosso tempo, sobretudo tendo-se em vista o fato de que pela primeira vez na história humana se tem mais pessoas vivendo em cidades do que em áreas rurais. Entretanto, com o aprofundamento dessa observação e considerando os acontecimentos sociais contemporâneos nota-se que essa expressão não está tão desatualizada assim, merece apenas um ajuste.
Com o crescimento exacerbado das cidades nos últimos tempos, e conseqüente degradação da qualidade de vida das pessoas – causada, por exemplo, pela agitação dos centros urbanos, violência, aumento do tempo em trânsito, intensas poluições visual e sonora – nota-se o desenvolvimento de alternativas que visam fazer com que aqueles com condições socioeconômicas mais favoráveis possam se afastar desse contexto “problemático” e buscar melhores condições de vida.
Dentre essas alternativas surge a idéia de condomínios fechados que apresentam-se como ambientes que possuem estrutura capaz de atender as demandas da população, que são longe o bastante dos centros urbanos para não serem atingidos pelos impactos neles gerados, mas perto o bastante para que os condôminos possam continuar trabalhando nas cidades e para que elas atendam a alguma eventual necessidades não supridas no novo ambiente de moradia.
È importante salientar que essa migração acontece dentro da área urbana, pois apesar de se afastarem dos centros (núcleos) urbanos as pessoas não retornam a viver nas áreas rurais. Com isso, pode-se dizer que na atualidade pode-se incorporar à antiga expressão Fugere urbem uma nova roupagem, passando ela a significar: aquele que foge da agitação da cidade para viver em um ambiente (não rural) mais tranqüilo e afastado.
Com a crescente preocupação da questão ambiental nota-se que os condomínios incorporaram o meio ambiente preservado como fator a ser oferecido em sua gama de benefícios, atraindo ainda mais pessoas interessadas em buscar um modo de vida fora dos centros urbanos e “perto” da natureza.
Entretanto, chega-se a um ponto conflitante que merece reflexões e ações. Como fazer com que o ambiente natural, preservado, vendido pelos empresários imobiliários, não se torne degradado com as novas construções? De que forma deve-se atuar para que os novos moradores não destruam aquilo que eles buscam indo morar longe das cidades? Sem dúvidas essa “nova” (já não tão nova assim) forma de ocupação humana deve ser vista com atenção, devendo ser aplicados instrumentos eficazes de gestão territorial e ações que sejam capazes de conscientizar os moradores, como forma de minimizar os impactos ambientais, atendendo assim a demanda de melhor qualidade de vida e não degradação do meio ambiente.
Como exemplo desses instrumentos de gestão territorial e ambiental pode-se citar o Diagnóstico de Percepção Ambiental, que é aplicado em populações já estabelecidas e tem por objetivo conhecer como está a relação das pessoas com as questões ambientais, buscando levantar de que forma elas vêem o ambiente no qual estão inseridas, como analisam a sociedade em geral e como agem em seu cotidiano.
Podendo ser utilizado diversos métodos para coleta de dados, como pesquisas Survey e grupos focais, normalmente esse modelo de diagnóstico é elaborado por uma equipe multidisciplinar que deve contar profissionais da área da sociologia – como sociólogos – e da área ambiental – como Engenheiros Ambientais – que devem trabalhar em conjunto objetivando a elaboração de uma análise integrada de ambas as áreas do conhecimento, aproximando ao máximo o resultado da realidade local.
Cita-se ainda que ao conhecer de que forma a população em estudo lida com o tema “meio ambiente” em seu dia a dia, o Diagnóstico de Percepção Ambiental é capaz de fornecer os dados necessários para os gestores embasarem suas decisões no que tange a correta gestão territorial e as medidas de educação ambiental para que os impactos nos condomínios sejam minimizados e as ações estejam o mais próximo do desejo dos moradores.
Em suma, seja esse ou qualquer outro instrumento utilizando na gestão territorial e ambiental de condomínios deve-se sempre almejar atender aos desejos comuns daqueles que optaram não viverem mais nas cidades e escolheram os condomínios como moradia, dentre eles: qualidade de vida, proximidade da natureza com o mínimo de impacto possível e tranqüilidade; fatores que tornam esses ambientes totalmente diferenciados dos centros urbanos, devendo ser tratados como tal.
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Referências:
Mora, José Ferrater. Dicionário de Filosofia. Martins Fontes, SP, 1996.
Autores
Martins, Lucas Mattos – Graduando em Eng.Ambiental pela Universidade Fumec
Ribeiro, Henrique Ferreira – Engenheiro Ambiental, integrante da Ambiência Soluções Sustentáveis


