Archive | set, 2010

Construção verde ganha adeptos no País

set 29th, 2010No Comments

Obras sustentáveis deixam de ser exclusividade de grandes empreendimentos e já englobam escolas públicas e condomínios de casas residenciais

A tendência das construções verdes está deixando de ficar restrita a grandes construções, como prédios de escritórios e supermercados, e está chegando à empreendimentos com menor escala, como escolas públicas, bancos, condomínios de casas residenciais e até templos religiosos.

Em comum, as edificações têm uso racional de energia, captação de água da chuva, solo menos impermeabilizado e propiciam maior conforto térmico e acústico em seu interior. Além disso, passam por processos de auditoria para ostentar selos de construção sustentável.

Por ser um mercado ainda incipiente no Brasil, a maioria das construções recebe o aval de dois principais selos de construção sustentável: o Aqua, criado em 2007 pela Fundação Vanzolini, ligada à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), e o americano Leed (Liderança em Energia e Design Ambiental).

Com o selo Aqua, existem 14 empreendimentos certificados e outros 25 em processo de receber auditorias. O selo foi o primeiro a atender obras de menor porte, como escolas. Já o selo Leed está estampado em 18 edificações em todo o País, e outros 75 empreendimentos buscam a certificação.

A novidade é o selo europeu Breeam, bastante utilizado na Inglaterra, onde já existem 65 mil empreendimentos certificados. Na região serrana do Rio, será construído um condomínio de oito casas residenciais sob os princípios da certificação.

Para obter a certificação Aqua, os empreendimentos precisam atender a 14 critérios de sustentabilidade. “Mas não basta adotar um cardápio de tecnologias verdes. É importante que o empreendimento privilegie questões como o conforto e a saúde de quem irá ocupar esses espaços”, explica Manuel Carlos Reis Martins, coordenador executivo do processo de certificação Aqua na Fundação Vanzolini.

De acordo com Martins, um dos principais mitos que ainda cercam as construções com menor impacto ambiental é de que essas tecnologias são caras. O professor explica que, dos custos totais de um empreendimento, 20% são de construção e 80% de operação. “Se reduzirmos os custos de operação com tecnologias que economizam água e energia, por exemplo, o investimento inicial se recupera em menos de dez anos.”

Escolas

Em São Paulo, duas novas escolas estaduais, uma região central e outra na zona norte, começam a ser construídas com base nos princípios de sustentabilidade, como referência para outros projetos.

As escolas estaduais Bairro Luz, no centro da capital, e Vila Brasilândia, na região norte, terão, além de tecnologias para economia de água e energia, soluções técnicas arquitetônicas para proporcionar aos alunos mais conforto térmico e acústico. Também foram projetadas para receber mais iluminação natural e gerar menos resíduos no processo de construção.

Na escola no bairro da Luz, localizada em uma área de preservação histórica, estão sendo tomados cuidados para que a construção não traga impactos negativos a imóveis tombados no entorno. “Serão as primeiras escolas do País certificadas com o selo de construção verde”, diz o engenheiro Luiz Fernando Ferreira, diretor da Inovatech, empresa de engenharia que executa os projetos.

A Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), ligada à Secretaria de Estado da Educação de São Paulo e responsável pela construção das escolas, já tinha um programa que visava o baixo impacto ambiental nos canteiros de obras, além de um projeto de reaproveitamento da água da chuva, adotado em uma escola do bairro de Perus, na zona norte.

Imagens publicadas pelo jornal

Matéria publicada no Jornal:
O Estado de São Paulo (http://www.estadao.com.br)
por Andrea Vialli – Publicada em 02 de Setembro de 2010

Você explora o potencial de sustentabilidade da sua casa?

set 23rd, 2010No Comments

A convite do Planeta Sustentável e da equipe da revista Casa Sustentável, os especialistas em arquitetura e design sustentável Newton Massafumi Yamato e Paulo Alves participaram de um bate-papo em SP, em que desmistificaram vários preconceitos, como a ideia de que apenas quem está construindo ou reformando tem a chance de incorporar a sustentabilidade dentro de casa.

Mediada pela jornalista Marianne Wenzel, que é editora da revista Arquitetura & Construção – publicação que produziu o especial em parceria com a revista Casa Claudia –, a conversa esclareceu uma série de mitos em torno da arquitetura e do design sustentável e, ainda, rendeu ideias superinteressantes para aqueles que estão a fim de morar em sintonia com o meio ambiente.A convite do Planeta Sustentável e da equipe da revista Casa Sustentável, os especialistas em arquitetura e design sustentável Newton Massafumi Yamato e Paulo Alves participaram de um bate-papo em SP, em que desmistificaram vários preconceitos, como a ideia de que apenas quem está construindo ou reformando tem a chance de incorporar a sustentabilidade dentro de casa.

Yamato, que é arquiteto especializado em projetos ambientais, foi o primeiro a falar para a platéia e apresentou um material que causou polêmica: a madeira biossintética, fabricada a partir de plástico reciclado. O material foi usado por Yamato para construir o brise de uma casa – apresentada no especial Casa Sustentável – e, segundo o arquiteto, pode ser produzido a partir da reciclagem de sacolinhas, o que levou alguns participantes da platéia a questionar se a opção não incentivaria a produção e o consumo dos sacos plásticos.

“O ideal, claro, é que cerca de 90% das casas sejam feitas de materiais renováveis e, sobretudo, de madeira, mas como ainda estamos muito longe dessa realidade, acredito que a madeira biossintética é uma opção interessante”, disse o arquiteto, que alertou: “Por ser um material novo, ainda não conhecemos profundamente suas características, mas protótipos mostraram que a madeira biossintética é resistente às intempéries e não requer manutenção”.

Em sua apresentação, Yamato ainda deu uma porção de dicas para as pessoas que não estão construindo ou reformando suas casas, mas querem incorporar a sustentabilidade em suas moradias. “Não é preciso grandes mudanças para viver em harmonia com o meio ambiente. Existem vários níveis de sustentabilidade que podem ser explorados em uma edificação”, destacou. Entre os conselhos do especialista, estão:

– colocar plantas em alguns cômodos da casa para aumentar a umidade relativa do ar e deixar o ambiente mais fresco, o que diminui o uso de refrigeradores e ar-condicionados na casa e, consequentemente, aumenta sua eficiência energética;

– manter as cortinas e persianas sempre abertas para aumentar a luminosidade da casa e, assim, diminuir o consumo de energia elétrica;

– cultivar jardins na área externa ou na laje da casa, o que refresca o ambiente e ajuda a combater o aquecimento global e

– adotar pequenos hábitos que estimulem a relação de respeito dos moradores com a natureza, como, por exemplo, ‘aposentar’ os relógios da casa e aprender a ver as horas a partir da posição do sol.

O designer sustentável e proprietário da Marcenaria São Paulo – que produz, apenas, móveis com madeiras brasileiras certificadas –, Paulo Alves, foi o segundo palestrante da noite e aproveitou o discurso de Yamato para dar uma outra dica para quem quer incorporar a sustentabilidade em sua casa. “Podemos cuidar melhor do espaço onde trabalhamos em casa e, assim, sair menos vezes para ir ao escritório”, disse o designer, que completou: “Hoje eu trabalho a 20 cm do meu quarto e posso dizer que a minha qualidade de vida aumentou bastante: eu almoço em casa e uso menos carro, o que diminui minha emissão diária de CO2”.

Paulo contou, ainda, que a atual casa onde mora foi construída em um galpão abandonado, no centro da cidade de São Paulo. Usando um pouco de criatividade e o conhecimento que possui na área de projetos ambientais, o designer transformou a área degradada em uma casa sustentável e aconchegante, com uma grande área verde, que atrai quatro espécies diferentes de pássaros.

Em sua palestra, Paulo defendeu o uso da madeira certificada e lamentou que muita gente ainda deixe de usar madeira proveniente de manejo florestal por achar que se trata de um produto mais caro ou com características diferentes da madeira ilegal, que ainda é mais popular. “Na verdade, a madeira é a mesma, só que tem uma produção controlada”, salientou o designer, que ainda aconselhou: “Entre as certificadas, eu indico a Paricá, que é brasileira, e ainda sugiro que explorem diferentes tipos de madeira em um mesmo móvel. Além de ficar mais bonito, ajuda no processo de manejo sustentável”. Segundo Paulo, é preciso ficar de olho no trabalho dos designers, porque muitos deles deixam de explorar a diversidade madeireira do país por pura comodidade, já que desconhecem as características dos tipos de madeira que são menos comuns nesse tipo de trabalho.

Matéria publicada no site: http://planetasustentavel.abril.com.br
por Mônica Nunes/Débora Spitzcovsky - Publicada em 02 de Setembro de 2010

Bactéria transforma energia solar e CO2 em combustível

set 22nd, 20101 Comment

Cientistas descobriram que combinar bactérias pode gerar hidrocarbonetosUma empresa americana anunciou recentemente um projeto que utiliza microorganismos para transformar luz solar e CO2 em etanol, diesel ou outros hidrocarbonetos. A Joule Unlimited obteve a patente para uma versão geneticamente modificada de cianobactérias, que convertem dióxido de carbono, água suja e luz solar em um hidrocarboneto líquido, que é funcionalmente equivalente ao diesel comum.

De acordo com a patente, duas enzimas de cianobactérias são combinadas gerando hidrocarbonetos em uma única etapa, convertendo a luz solar captada em “energia líquida”, que pode ser etanol ou diesel.

“Esta patente representa um marco importante e valida a verdadeira natureza revolucionária de nosso processo”, diz Bill Sims, presidente da companhia. “Mesmo se tratando de uma bactéria, o organismo possui potencial e rendimento para substituir toda a infraestrutura dos combustíveis fósseis em escala significativa e custos altamente competitivos”, completou.

Segundo a Joule Unlimited, a intenção do projeto é superar as limitações das outras tecnologias e os custos de matéria-prima e logística.

Outras empresas, como a LS9 e a Amyris, também usam bactérias geneticamente modificados para produzir biocombustíveis, mas eles são projetados para fazer açúcares, e só então são transformados em combustíveis. A descoberta da Joule Unlimited se diferencia por tornar esse processo mais rápido e econômico.

A empresa está testando fazer diesel e etanol no Texas, onde a luz solar e resíduos de CO2 seriam alimentados em biorreatores. Joule planeja iniciar a produção piloto de diesel no final de 2010 e abrir uma usina comercial em 2012. Os testes para produção de etanol mostram que ele pode ser produzido a um ritmo de 10 mil litros por hectare por ano. Estima-se que o barril custaria, em média, U$ 30,00.

Matéria publicada no site: http://www.ecodesenvolvimento.org.br
por Redação EcoD – Publicada em 17 de Agosto de 2010

Estudantes chineses criam catraca que gera energia limpa

set 21st, 2010No Comments

Comum em estádios de futebol, casas de shows e terminais de ônibus e metrô a catraca regula a entrada de milhares de pessoas a partir daquele movimento cíclico que todos conhecem. Mas, e se esse movimento pudesse gerar energia? Foi essa questão que fomentou a criação de um novo modelo de catraca mais sustentável.

A Green Press, como foi chamada, é uma cratraca desenvolvida por estudantes chineses da Universidade de Tecnologia de Guandong. O movimento comum do objeto tornou-se uma maneira criativa de proteger o meio ambiente e gerar energia limpa.

O objeto transforma a energia cinética do movimento dos passageiros em energia elétrica, dispensando qualquer tipo de abastecimento externo. A ideia é usar a energia para suprimento das funções normais de uma catraca: emissão de bilhetes, contagem de passageiros, leitura de cartões, inserção de moedas e tickets além de controlar a passagem de pedestres.

O objetivo é que, cada vez mais, catracas de todo o mundo não precisem de qualquer tipo de abastecimento além do proposto. Isso reduziria o consumo de energia, segundo o grupo de designers, em uma quantia realmente considerável.

O projeto da Green Press é tão bom que recebeu o primeiro lugar no concurso Lite-On Award em Taiwan, além da honra pela Mailan China Designs.

O grupo de estudantes que criou a catraca recebe prêmio

Matéria publicada no site:
http://www.ecodesenvolvimento.org.br
por Redação EcoD – Publicada em 19 de Agosto de 2010

Onde colocar o lixo doméstico?

set 20th, 2010No Comments

Desde seu lançamento, em junho de 2009, a campanha Saco é um Saco, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), ajudou a evitar 800 milhões de sacolas plásticas no Brasil. Este número corresponde apenas às sacolas evitadas pelas três maiores redes de supermercado do país e significa 5,4% dos 15 bilhões de sacolas plásticas produzidas no último ano. Mas ao evitar sacolas plásticas, o que utilizar para colocar o lixo doméstico? O que usar para retirar o cocô do cachorro da calçada enquanto passeia? A Equipe Übersite conversou com a Secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do MMA, Samyra Crespo, e esclareceu essas e outras dúvidas. Confira a entrevista exclusiva e faça parte dessa campanha!

A campanha Saco é um Saco enfatiza as consequências do descarte do saco plástico de maneira incorreta e a importância do consumo de maneira consciente. Quais situações configuram o descarte incorreto e o que vocês consideram como consumo consciente?

O descarte incorreto é aquela sacolinha jogada na rua, na natureza ou deixada de maneira displicente em latas de lixo ou outro local, permitindo que elas voem com o vento. O correto é o descarte no lixo, sem possibilidade de a sacolinha se desgarrar. Porém, só é correto até a sacola chegar ao aterro ou lixão, porque lá, por ser muito leve, ela pode voar. O descarte corretíssimo seria o encaminhamento para reciclagem – embora a efetiva reciclagem do plástico-filme (material que é utilizado para fazer a sacolinha) seja ínfima. Aí entra a importância do consumo consciente. No caso das sacolas plásticas, o consumo consciente é pegar somente a quantidade necessária, se possível recusar e adotar alternativas. Mas, se levar alguma pra casa, reutilizar ao máximo. Nosso lema é: “Recuse, reduza, reutilize”. O consumo excessivo de sacolas plásticas é que traz o problema ambiental que observamos.

É cada vez mais comum a prática do uso de sacola plástica para retirar o cocô do cachorro da calçada (enquanto o dono passeia com o animal de estimação). Com essa atitude, as vias públicas ficam mais limpas, porém, utilizam-se mais sacolas plásticas. Qual é a alternativa para esses casos?

Em outros países, a obrigação de recolher o cocô do cachorro também existe, assim como a de embalar o lixo em algo, mas o plástico não é a opção tão óbvia. No Brasil se faz esse uso – que é uma reutilização da sacola de supermercado – pela gratuidade do item, distribuído indiscriminadamente. Mas, se estamos preocupados com o lixo que geramos e deixamos no planeta – e o plástico resiste séculos – então devemos começar a avaliar alternativas. Por que não usar jornal? Papel é biodegradável e não guarda o cocôzinho pela eternidade como  o plástico faz. As pessoas se acostumaram ao prático, ao fácil, ao descartável. Infelizmente, não podemos nos dar a esse luxo sendo quase sete bilhões de pessoas em um planeta finito.

A maioria das pessoas utiliza as sacolas plásticas dos supermercados para acondicionar o lixo doméstico (tanto seco como orgânico). Ao optar por sacolas ecológicas (ecobags) ou caixa de papelão para carregar as compras, o que utilizar para colocar o lixo de casa?

A questão do lixo é a que mais causa dúvidas e também se enquadra na explicação anterior: precisamos apenas repensar nossos hábitos. O lixo seco, hoje, é basicamente composto por materiais recicláveis. Esses podem e devem ser separados e encaminhados à reciclagem. Aqueles que têm coleta seletiva em seus bairros, ou observam catadores de recicláveis trabalhando, ou, ainda, têm a possibilidade de levar seus recicláveis para uma estação que os destina para a reciclagem, podem separar seus recicláveis em caixas (ou mesmo sacos grandes), depositá-los e reutilizar as caixas ou sacos em outras viagens. É sempre interessante observar como esse novo hábito vem sendo criado em outros países. Com o lixo orgânico, infelizmente, no Brasil, não temos alternativa ainda: ele precisa estar acondicionado em um saco plástico. Mas observem que, ao usar sacos plásticos só para lixo de cozinha e de banheiro, sem acondicionar peças grandes como embalagens em geral, já reduzimos significativamente a quantidade de sacos necessários. Se houver a possibilidade, sugerimos a compra de sacos de lixo feitos de material reciclado (que retiram plástico da natureza) ou biodegradáveis.

Qual a diferença entre a sacola de plástico do supermercado e os sacos de lixo de material reciclado, que são vendidos?

As sacolas de plástico do supermercado e os sacos de lixo comuns (azuis) são feitos de matéria-prima virgem, ou seja, demandam petróleo ou gás natural, dois recursos não-renováveis e finitos. Já os sacos pretos, geralmente de material reciclado, retiram o plástico já descartado de circulação e os reutilizam. Levando em consideração que produção do plástico envolve consumo de água, energia e emite poluentes, o melhor então é reciclar o plástico já produzido, consumindo assim menos matéria-prima e menos insumos (água, energia).

Em muitos locais do Brasil não existe coleta seletiva e os lixos acabam se misturando. Existe alguma alternativa nesse sentido?

A alternativa, por ora, é a mobilização social local. Reunir os vizinhos do bairro e contatar uma cooperativa de catadores que recolha os recicláveis é uma alternativa. Outra é mobilizar os políticos locais para implementação de coleta seletiva ou, ainda, instituir um sistema de coleta de recicláveis na escola do bairro, por exemplo. No plano nacional, o MMA conquistou, recentemente, a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que tramitava há 20 anos no Congresso Nacional e que trará soluções para essa questão. Se em alguns casos ainda não se pode abrir mão dos sacos plásticos pela falta de estrutura de coleta, paciência, mas esse dia vai chegar. Enquanto isso, sugerimos o uso de sacos de lixo de material reciclado.

Se o saco plástico foi utilizado com lixo orgânico (contaminando o material) é possível reciclá-lo?

A reutilização do saco plástico como saco de lixo contamina e inviabiliza a reciclagem. Além disso, a separação pós-consumo nem sempre acontece – nem em casa, nem no local onde o lixo é despejado – e mais difícil ainda é o encaminhamento para reciclagem. As sacolas plásticas têm esse baixíssimo índice de reciclagem também por esse fato.

Muito se fala sobre sacola oxi-biodegradável e bioplástico, porém pouco se conhece sobre essas alternativas. Elas realmente são uma alternativa?

Essas duas tecnologias já estão disponíveis no mercado brasileiro hoje, mas são bem mais caras.  A tecnologia oxi é a inclusão de um aditivo no polietileno, que acelera a fragmentação do plástico. Não há consenso científico sobre sua real biodegradação. Até o momento, consideramos que a fragmentação do plástico é até mais perigoso, pois o plástico inteiro ainda pode ser recolhido e enviado para reciclagem. Os bioplásticos, por outro lado, são mais interessantes. São feitos a partir de matéria-prima renovável, como amido de batata ou mandioca, que são naturalmente biodegradáveis e compostáveis. Infelizmente, são muito mais caros, pois a produção no Brasil é pequena ainda. Mas seja qual for a alternativa, nenhuma delas é interessante se mantivermos o nível de consumo excessivo de sacolas plásticas que temos hoje no Brasil e no mundo. Não há solução mágica ou única. Temos que mudar nosso comportamento, nossos hábitos.

É fato que as sacolas oxi-biodegradáveis se decompõem em 18 meses? O que acontece com o lixo que está acondicionado nela?

Preferimos falar em fragmentação, que é o que acontece com esse material, e ela é relativa. Em condições de aterro ou lixão, quando o saco plástico está constantemente sendo soterrado por novas camadas de lixo, não há luz, calor, oxigênio, ou seja, não há fragmentação. O comportamento do oxi, nestas condições, é idêntico ao do plástico comum: resistirá a séculos. O mesmo ocorre com o material orgânico nessas condições: sem luz, oxigênio e calor, mesmo um cachorro-quente pode permanecer intacto nas camadas mais profundas dos depósitos de lixo. Nas camadas superiores, realmente o plástico oxi vai se fragmentar se tiver tempo para isso – tempo suficiente para a incidência de luz, calor e oxigênio. Nesse caso, o lixo é liberado e os fragmentos de plástico podem voar com o vento, indo parar na natureza ou sobre as casas de quem morar por perto.

Matéria publicada no site: www.blog.giselebundchen.com.br
Publicada em 31 de Agosto de 2010
Confira o site da campanha Saco é um saco
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