Archive | mai, 2010
Convênio entre Cempre e governo mapeará ciclo de vida de eletrônicos
O Comitê de Eletroeletrônicos do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre) e o Ministério do Meio Ambiente assinaram ontem, 10 de maio, um convênio de cooperação técnica para a elaboração de um inventário sobre a produção, recolhimento e reciclagem de eletroeletrônicos no Brasil.
“Por meio desse convênio, esperamos dar suporte para a elaboração de políticas públicas para o segmento da reciclagem de eletroeletrônicos”, disse Victor Bicca, presidente do Cempre.
Para o diretor de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Silvério Silvano, a reciclagem dos eletroeletrônicos é fundamental pois possibilita a economia de energia, recursos naturais e dinheiro com a prospecção de novos materiais para a fabricação dos componentes dos equipamentos.
Além da cooperação técnica, o convênio criou um site destinado a informar os cidadãos sobre os procedimentos de devolução dos eletroeletrônicos aos fabricantes.
“O projeto de lei da Política Nacional dos Resíduos Sólidos vai além da logística reversa de eletroeletrônicos. Ele dá aos cidadãos a responsabilidade de destinar seus equipamentos de forma correta, o que depende de educação ambiental e de informação”, disse Silvano. “É a isso que esse site se destina”.
O Silvano diz acreditar que a obrigatoriedade da logística reversa por parte dos fabricantes aumentará a competitividade das empresas e, consequentemente, diminuirá os custos para os consumidores.
A secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Samira Brollo de Serpa Crespo, declarou que, juntamente com as empresas, sua pasta estudará quais são os incentivos que podem ser dados aos consumidores para estimular a devolução aos fabricantes.
“Existe um mosaico de soluções para os eletroeletrônicos”, afirmou. “Pretendemos ajudar a sociedade a fazer as contas e as melhores escolhas. Para isso, precisamos de informação e incentivos”.
O comitê foi criado no final do ano passado para discutir a implantação da logística reversa de eletroeletrônicos no Brasil e conta com a participação do Carrefour, Dell, HP, Intel, Pão de Açúcar, Phillips, Walmart, J&J, Casa Bahia e Procter & Gamble.
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Sistema Estadual de Informações sobre Saneamento inicia em maio visitas aos 853 municípios mineiros
Dados sobre tratamento de esgoto coletados pelo IBGE em 2000 mostravam que menos de 10% dos distritos mineiros que possuíam rede coletora apresentavam algum tipo de tratamento antes de sua destinação final. De acordo com a Copasa, o volume de esgoto tratado em sua área de concessão, desde então, teve um aumento de 127%, passando de 31 Estações de Tratamento de Esgoto para 96 em 2009.
Porém, mesmo com esta evolução, a ausência de um sistema de acompanhamento das informações sobre saneamento básico regular pode vir a comprometer a capacidade do governo de planejar e direcionar de forma adequada investimentos para todos os municípios do estado. Por isso, e com o objetivo de reverter este panorama, o Centro de Estatística e Informações (CEI) da Fundação João Pinheiro desenvolve desde 2008, por encomenda da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana – SEDRU, o Sistema Estadual de Informações sobre Saneamento (SEIS).
Parte do Projeto Estruturador “Saneamento Básico: Mais Saúde Para Todos”, do Governo de Minas, o SEIS está coletando e sistematizando dados sobre o saneamento básico nos municípios mineiros para garantir a gestores municipais e estaduais o acesso a informações detalhadas que irão orientar futuras ações e investimentos em saneamento básico.
Campo – A partir deste mês a equipe do SEIS irá visitar os 853 municípios mineiros com a finalidade de coletar informações sobre os sistemas de abastecimento de água; esgotamento sanitário; coleta, manejo e destinação de resíduos sólidos urbanos; e sistemas de drenagem pluvial urbana.
As equipes de campo irão coletar junto às prefeituras informações sobre a gestão de saneamento nas cidades e dados que caracterizem o saneamento básico em cada uma delas. “Os serviços de saneamento básico são atribuições municipais, mas a cooperação e coordenação desses investimentos podem e devem ser orientados pelo governo estadual, pois cabe aos poderes públicos estadual e federal oferecer subsídios para orientar e financiar obras e serviços mais adequados para o setor”, explica a pesquisadora do SEIS, Joseane Fernandes.
Site – Está no ar desde o início de maio o novo site do SEIS (http://seis.fjp.mg.gov.br). A página servirá como um canal de divulgação da pesquisa e seus resultados. Por meio de cadastro, prefeituras de todo o estado poderão consultar as informações sobre o saneamento básico de seus municípios. Os primeiros resultados deverão ser disponibilizados entre setembro e outubro deste ano.
Por meio do acesso, via site, ao banco de dados do projeto, será também possível monitorar os resultados das ações realizadas nos municípios, já que o projeto realizará os levantamentos de forma anual.
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Governo e empresas fecham acordo para reciclar lixo eletrônico
Todo o lixo eletrônico produzido no Brasil terá um inventário para que as empresas firmem um pacto de recolhimento e reciclagem. O acordo foi assinado nesta segunda-feira, em São Paulo, pela ministra do Meio Ambiente, Isabella Teixeira, e o Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre).
“Saiu um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) dizendo que o Brasil é o quarto ou quinto país no mundo em número de lixo eletrônico, e nós vamos fazer agora um inventário para saber qual o comportamento do nosso País diante do problema”, disse.
Pelo documento do Programa Nacional das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), divulgado no começo deste ano, o mundo produz, a cada ano, cerca de 40 milhões de toneladas de lixo eletrônico a mais, e o Brasil está entre os maiores produtores. Como o ministério não foi consultado sobre o problema, segundo a ministra, a ideia é fazer um inventário dimensionar o tamanho do lixo eletroeletrônico brasileiro e o destino que é dado atualmente a esse tipo de material.
Para o presidente do Cempre, Victor Bicca, é importante que a maioria das empresas do setor participem da elaboração do inventário. “A previsão é de que a gente possa fazê-lo em quatro meses. Ele contará com a participação de todas as empresas que fazem parte do Comitê Eletroeletrônico do Cempre. Também vamos convidar as outras associações que representam o setor eletroeletrônico. Tudo isso sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente”, afirmou.
Além do inventário, também foi inaugurado hoje um site que vai informar o consumidor sobre como deve ser realizada a devolução de aparelhos como computadores, impressoras, telefones celulares, câmeras e até geladeiras. O consumidor poderá consultar os sites www.cempre.org.br e www.mma.gov.br, onde encontrará os locais de coleta e a reciclagem dos materiais.
Isabella Teixeira disse ainda que o ministério está estudando a adoção de medidas, como a redução de impostos ou a distribuição de cupons de troca por outros produtos, como estímulo ao consumidor. “Com isso a gente espera permitir uma mudança no comportamento do consumidor para que eles comecem a entender o que significa comprar, às vezes de maneira desenfreada, sem entender onde vai ficar o resultado dessa compra”, disse.
Atualmente tramita no Senado Federal o projeto da Política Nacional de Resíduos Sólidos. A expectativa é de que ele seja votado e aprovado no fim deste mês e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente.
“Estamos nos antecipando a uma lei que está sendo votada para permitir que o empreendedor ou aquele que gera um produto, que vai dar no resíduo lixo, tenha a responsabilidade de recolhe-lo, dando a esse produto a destinação adequada”, disse a ministra.
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Modelo alemão de casa ecoeficiente roda a América Latina
A instalação usa tecnologia desenvolvida na Alemanha e vai rodar 13 cidades na América Latina. Além de chamar a atenção de futuros moradores, conceito busca atrair novos investimentos para o mercado ambiental.
Parte de contêineres, paredes brancas com vãos livres, vidraças e uma superfície difícil de ser identificada a longa distância. Assim é descrito o objeto exposto em pleno Parque Ibirapuera, em São Paulo.
A construção é, na verdade, um protótipo de casa que convida os transeuntes do parque a conhecer um conceito de moradia que combina energias renováveis e eficiência energética. Batizada como “Casa Alemã”, o espaço foi elaborado com tecnologias desenvolvidas naquele país e traz soluções que poderão ser aplicadas na construção civil brasileira.
Apesar de São Paulo não ser exatamente conhecida por positivos aspectos ambientais – é cortada por dois rios com trechos poluídos e mal cheirosos e concentra um dos trânsitos mais pesados do mundo, o que prejudica a qualidade do ar – a cidade foi escolhida para abrir o roadshowque passará por outras 12 cidades na América Latina.
“Inegavelmente, São Paulo é a maior cidade na América do Sul em termos de avanço tecnológico e preocupação ambiental. Tenho certeza de que São Paulo é a cidade que tem o nível de conscientização mais alto”, justifica Ricardo Ernest Rose, diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha.
A casa ideal
O projeto desenvolvido pela Universidade Técnica de Darmastadt foi vencedor do Solar Decathlon, promovido pelo governo dos Estados Unidos – concurso que reconhece melhores ideias de casas, que só usam o sol como fonte energética. E veio parar na América Latina por iniciativa do ministério alemão da Economia e apoio da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha.
Além dos painéis fotovoltaicos – superfície difícil de ser reconhecida de longe, por ser ainda pouco utilizada no Brasil – a casa traz soluções arquitetônicas e técnicas que permitem o uso eficiente e econômico de energia.
Uma das características mais atraentes da construção: ela gera mais energia do que consome e o excesso é armazenado em baterias. O isolamento das paredes e janelas também ajuda a manter a temperatura interna agradável, além de um sistema de ventilação inteligente.
Seria possível?
“Não é uma coisa para você copiar exatamente. O que fica claro é o seguinte: precisamos absorver mais o conceito de utilização dos recursos naturais, de espaços onde se penetre mais ar e mais luz, por exemplo. (…) A fotovoltaica está começando ainda no Brasil, ainda não temos fabricantes, mas deveremos ter em breve”, analisa Ricardo Ernest Rose, lembrando que o Brasil, México e Argentina são os maiores mercados ambientais no continente.
O secretário de Habitação do estado de São Paulo, Lair Alberto Krähenbühl, adianta a novidade: “Tudo o que você vê aqui a gente tem condição de fabricar no Brasil. Fui procurado por dois empresários, que querem arrumar uma área de 50 mil metros para montar uma fábrica de células fotovoltaicas e aquecedores solares. Acho que teremos oportunidade de trazer muita coisa para cá a médio prazo.”
Krähenbühl lembra que algumas iniciativas estaduais já estimulam o uso racional de fontes renováveis, como a instalação de aquecedores solares em casas populares construídas pelo governo.
“Evidentemente você não pode importar uma casa como essa, não compensa. Mas de uma coisa você pode ter certeza: nós seremos eles amanhã”, diz o secretário, que vê com otimismo o Brasil, no futuro, como difusor de tecnologias como as já usadas na Alemanha.
UFES identifica 3 tipos de consumidores de materiais de construção verdes
Uma Pesquisa da Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Espírito Santo identificou três tipos de usuários que utilizam materiais de construção sustentáveis em suas obras e verificou o mercado desses produtos no Espírito Santo, apurou a Revista Sustentabilidade.
O estudo, conduzido por Márcia Bissoli, professora do Departamento de Arquitetura da Universidade Federal do Espírito Santo (DAU-UFES) se baseou na oferta de materiais de construção verdes no mercado em diversas cidades capixabas e visitou obras construídas para verificar o perfil de seus proprietários e identificar quais produtos são comprados.
Como resultado, três tipos de usuários foram identificados: os “ambientalmente conscientes”, os “criativos por necessidade” e os ”ambientalmente chiques”.
Os “ambientalmente conscientes”, integram o grupo das pessoas que usam materiais alternativos, simples e recicláveis por opção, em construções geralmente empreendidas em áreas afastadas dos centros urbanos. Para estes usuários, o poder aquisitivo não influencia na opção do uso dos materiais, que são em sua maioria o eucalipto tratado, as telhas produzidas a partir de materiais reciclados, pneus inservíveis usados para jardinagem, além de vidros reaproveitados e cacos de cerâmica e cascalho usados para revestimento.
O segundo grupo de usuários identificado pela pesquisa são os “criativos por necessidade”, pessoas que usam os materiais verdes como uma alternativa aos convencionais, por falta de acesso à elas. Geralmente são moradores de áreas de risco ou pessoas de menor poder aquisitivo.
Os principais materiais utilizados por esse perfil são resíduos de madeira, que servem para o revestimento de pisos e paredes porém necessitam ser trocados a cada 3 meses e cacos de cerâmica e tampinhas de garrafas para revestimentos de pisos e paredes.
Um terceiro perfil identificado foi o dos “ambientalmente chiques”, aqueles que adotam o uso de materiais reciclados, produzidos em escala industrial, por terem uma percepção de que esses materiais estão na moda. Entre seus materiais preferidos estão a madeira de demolição, as pastilhas de coco e a madeira plástica.
O trabalho destaca também que a escolha dos materiais verdes deve seguir algumas recomendações, como aproveitar a mão-de-obra local, contratar profissionais técnicos capacitados a orientar adequadamente os moradores em suas intervenções físicas na moradia e fazer uso de produtos e tecnologias sustentáveis durante as diversas etapas da obra.
Os resultados indicam que o desconhecimento dos materiais verdes por arquitetos e consumidores é um dos maiores gargalos para que eles sejam aplicados em larga escala no Espírito Santo. Segundo o estudo, grande parte dos produtos são aplicados em obras destinadas ao uso comercial, o que, de acordo com os pesquisadores, está relacionado ao apelo ecológico e ao marketing.
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