Archive | out, 2008

FUGERE URBEM E A GESTÃO TERRITÓRIO-AMBIENTAL

out 24th, 2008No Comments

Fugere urbem é uma expressão em latim que significa: ” “fugir da cidade” que foi adotada como lema pela literatura árcade para simbolizar o poeta literário que se desloca da vida agitada e corrida da cidade e vai para a calma zona rural”.

Considerando os dias atuais, uma análise mais superficial dos fatos e processos sociais certamente resultaria na afirmação de que essa expressão está desatualizada e não mais se aplica em nosso tempo, sobretudo tendo-se em vista o fato de que pela primeira vez na história humana se tem mais pessoas vivendo em cidades do que em áreas rurais. Entretanto, com o aprofundamento dessa observação e considerando os acontecimentos sociais contemporâneos nota-se que essa expressão não está tão desatualizada assim, merece apenas um ajuste.

Com o crescimento exacerbado das cidades nos últimos tempos, e conseqüente degradação da qualidade de vida das pessoas – causada, por exemplo, pela agitação dos centros urbanos, violência, aumento do tempo em trânsito, intensas poluições visual e sonora – nota-se o desenvolvimento de alternativas que visam fazer com que aqueles com condições socioeconômicas mais favoráveis possam se afastar desse contexto “problemático” e buscar melhores condições de vida.

Dentre essas alternativas surge a idéia de condomínios fechados que apresentam-se como ambientes que possuem estrutura capaz de atender as demandas da população, que são longe o bastante dos centros urbanos para não serem atingidos pelos impactos neles gerados, mas perto o bastante para que os condôminos possam continuar trabalhando nas cidades e para que elas atendam a alguma eventual necessidades não supridas no novo ambiente de moradia.

È importante salientar que essa migração acontece dentro da área urbana, pois apesar de se afastarem dos centros (núcleos) urbanos as pessoas não retornam a viver nas áreas rurais. Com isso, pode-se dizer que na atualidade pode-se incorporar à antiga expressão Fugere urbem uma nova roupagem, passando ela a significar: aquele que foge da agitação da cidade para viver em um ambiente (não rural) mais tranqüilo e afastado.

Com a crescente preocupação da questão ambiental nota-se que os condomínios incorporaram o meio ambiente preservado como fator a ser oferecido em sua gama de benefícios, atraindo ainda mais pessoas interessadas em buscar um modo de vida fora dos centros urbanos e “perto” da natureza.

Entretanto, chega-se a um ponto conflitante que merece reflexões e ações. Como fazer com que o ambiente natural, preservado, vendido pelos empresários imobiliários, não se torne degradado com as novas construções? De que forma deve-se atuar para que os novos moradores não destruam aquilo que eles buscam indo morar longe das cidades? Sem dúvidas essa “nova” (já não tão nova assim) forma de ocupação humana deve ser vista com atenção, devendo ser aplicados instrumentos eficazes de gestão territorial e ações que sejam capazes de conscientizar os moradores, como forma de minimizar os impactos ambientais, atendendo assim a demanda de melhor qualidade de vida e não degradação do meio ambiente.

Como exemplo desses instrumentos de gestão territorial e ambiental pode-se citar o Diagnóstico de Percepção Ambiental, que é aplicado em populações já estabelecidas e tem por objetivo conhecer como está a relação das pessoas com as questões ambientais, buscando levantar de que forma elas vêem o ambiente no qual estão inseridas, como analisam a sociedade em geral e como agem em seu cotidiano.

Podendo ser utilizado diversos métodos para coleta de dados, como pesquisas Survey e grupos focais, normalmente esse modelo de diagnóstico é elaborado por uma equipe multidisciplinar que deve contar profissionais da área da sociologia – como sociólogos – e da área ambiental – como Engenheiros Ambientais – que devem trabalhar em conjunto objetivando a elaboração de uma análise integrada de ambas as áreas do conhecimento, aproximando ao máximo o resultado da realidade local.

Cita-se ainda que ao conhecer de que forma a população em estudo lida com o tema “meio ambiente” em seu dia a dia, o Diagnóstico de Percepção Ambiental é capaz de fornecer os dados necessários para os gestores embasarem suas decisões no que tange a correta gestão territorial e as medidas de educação ambiental para que os impactos nos condomínios sejam minimizados e as ações estejam o mais próximo do desejo dos moradores.

Em suma, seja esse ou qualquer outro instrumento utilizando na gestão territorial e ambiental de condomínios deve-se sempre almejar atender aos desejos comuns daqueles que optaram não viverem mais nas cidades e escolheram os condomínios como moradia, dentre eles: qualidade de vida, proximidade da natureza com o mínimo de impacto possível e tranqüilidade; fatores que tornam esses ambientes totalmente diferenciados dos centros urbanos, devendo ser tratados como tal.

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Referências:

Mora, José Ferrater. Dicionário de Filosofia. Martins Fontes, SP, 1996.

Autores

Martins, Lucas Mattos – Graduando em Eng.Ambiental pela Universidade Fumec

Ribeiro, Henrique Ferreira – Engenheiro Ambiental, integrante da Ambiência Soluções Sustentáveis

Projeto Urbanístico – Vale do Sol, Nova Lima/MG

out 1st, 20086 Comments

Desenvolvido em 2007, o projeto urbanístico das praças do residencial Vale do Sol foi resultado da parceria entre Pulso Arquitetura e Flávio Negrão.

A pedido da APREVS (Associação dos Moradores do Vale do Sol) que vem, já há algum tempo, empenhando-se na melhoria contínua da qualidade de vida dos moradores do residencial o projeto foi inspirado nas montanhas e astros que descortinam a paisagem mineira do Vale do Sol, o projeto das praças contempla em seu desenho a sinuosidade das curvas naturais que emolduram este cenário do cerrado brasileiro. E tem por objetivo: a implantação de duas praças (Praça do Tempo e Praça do Sol); a criação uma Área Institucional, destinada ao estudo e preservação do cerrado, através da implantação da sede do CRESCE (Centro de Referência em Educação e Sustentabilidade do Cerrado); e a adequação das vias aos princípios de “acessibilidade universal” e ” preocupação ambiental”.

O loteamento Residencial Vale do Sol está localizado na cidade de Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte, próximo aos residenciais Jardim Canadá, Pasárgada e Morro do Chapéu. Criado na década de 50, durante muitos anos permaneceu parcialmente habitado. Trinta anos depois pouco havia mudado, uma vez que não dispunha de qualquer estrutura urbana com extensão de rede elétrica, rede de esgoto, pavimentação e nem sequer ruas delimitadas. Situação que atualmente dificilmente aconteceria, uma vez que atualmente, de acordo com a legislação vigente, qualquer empreendimento urbanístico deve dispor destes elementos básicos para ser aprovado, a fim de garantir a qualidade de vida e assegurar a preservação do meio ambiente.

Hoje, o Vale do Sol tem pouco mais de 10% de seus lotes edificados, predominantemente por residências, entretanto, atualmente, novas construções surgem todos os dias, motivadas pelo crescimento intenso de ocupação em toda a região e pelas conquistas dos últimos anos no Vale do Sol, como rede elétrica, rede de abastecimento de água, rede de esgoto (em fase de execução), definição do traçado e pavimentação das ruas (em fase de execução), além da recente manutenção da BR 040 que em muito melhorou o acesso à região.

Apesar dos ganhos, os impactos do crescimento (desordenado) já fazem parte do cenário atual do bairro. Elementos essenciais à urbanização do bairro e à humanização da população são urgentes para garantir a preservação do meio ambiente e a qualidade de vida na região. A proximidade com a Estação Ecológica de Fecho e a inclusão do bairro como ADE (área de diretrizes especiais) segundo o Plano Diretor de Nova Lima (PDNL), são fatores que apontam a necessidade de requalificação urbana conceituada dentro dos parâmetros da sustentabilidade, preservação e acessibilidade universal.

Praças (localização estratégica)

As duas únicas praças do bairro (Praça do Tempo e Praça do Sol) estão localizadas na principal via de acesso, a 5ª Avenida. Ela possui características de uma via coletora, pois faz a interligação dos núcleos residenciais Vale do Sol, Morro do Chapéu, Quintas do Morro e Passárgada à BR 040. Porém é importante ressaltar que, segundo as diretrizes de trânsito propostas no novo PDNL a 5ª Avenida fará parte da principal via de acesso da região noroeste a sede do município, o que a transformará em uma via arterial.

Praça Ecológica – Sede do CRESCE

O ensejo é que estes 9.00m2 sejam preservados em função de suas riquezas naturas, já que abriga diversas espécies ameaçadas de extinção. Ampliando a idéia de preservação, propõe-se o uso da área para fins educacionais. Trilhas ecológicas abertas à visitação, e a implantação da sede do Projeto CRESCE, que contará no seu programa com uma sala multi-meios para 25 lugares, uma cozinha para projetos ligados ao estudo de plantas medicinais e segurança alimentar, uma sala administrativa, sanitários, pátio externo coberto e mirante com vista para o bairro.

Praça do Sol

Localizada na 5ª Avenida, a Praça do Sol com sua área de 3.500 m2 favorece a implementação de equipamentos de lazer necessários à qualidade de vida dos cidadãos.

O plano de ocupação da praça prevê a construção de um viveiro de plantas para atender as pesquisas de desenvolvidas pelo CRESCE, um playground construído com a reutilização do resíduo das mineradoras, um anfiteatro e um espaço coberto para atender as necessidades da comunidade (oficinas, exposições, festejos, reuniões.

Praça do Tempo

Rotatória de 1.800 m2 dividida ao meio pela 5ª Avenida a Praça do Tempo trará no desenho do piso a sinuosidade das montanhas mineiras. Espaço destinado a receber equipamentos como ponto de ônibus, containers de coleta seletiva e mobiliário urbano, a praça será contemplada com projeto paisagístico que vise proporcionar um maior sombreamento da área, diminuindo a sensação de aridez em que hoje se encontra o espaço.

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