Em debate o comércio de madeira sustentável

A conversa iniciada no encontro será aprofundada em outras reuniões já marcadas para julho, agosto e outubro

 

Como o setor da construção civil pode ajudar na luta contra o comércio de madeira ilegal? Em busca de respostas para esta pergunta, o WWF-Brasil, junto à Fundação Getúlio Vargas, a Rede Amigos da Amazônia e o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) promoveu o workshop Aquisição Sustentável de Madeira na Construção Civil.
Realizado na sede do SindusCon-SP, no bairro de Santa Cecília, no Centro de São Paulo, o encontro durou um dia inteiro e reuniu cerca de 10 pessoas, representantes de construtoras, incorporadoras, projetistas e profissionais liberais. O objetivo do encontro foi mobilizar o setor para evitar a compra de madeira ilegal e criar, junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente de São Paulo, mecanismos que garantam que esta providência saia do papel.
Durante a discussão, foram abordados temas como os conceitos de madeira legal e sustentável, como identificá-la, além da oportunidades que se apresentam com o uso deste recurso. Foi discutida ainda a criação de um plano de ação que possa ajudar as empresas a, gradativamente, substituir a compra de madeira ilegal pelo produto sustentável e, se possível, certificado. Este plano abrange um período de cinco anos e propõe mudanças na forma como as construtoras compram madeira.
Abrir caminhos
A responsável pelo controle de qualidade e Meio Ambiente da construtora Camargo Corrêa, a engenheira Kelly Vivanco, disse que discutir o tema é sempre válido. “A capacitação está inserida dentro das propostas que temos para implementar, dentro da nossa empresa, políticas de melhoria no processo de compra da madeira e na redução de impactos”, afirmou.
O analista ambiental do WWF-Brasil, Ricardo Russo, disse ter gostado do nível de participação dos presentes. “É importante que criemos uma política de compra responsável por parte das empresas consumidoras de madeira para que, posteriormente, com um plano de ação, possamos induzir uma mudança nos produtores”, declarou o especialista.
A coordenadora técnica do comitê de Meio Ambiente do SindusCon-SP, Lílian Sarrouf, afirmou que, nos últimos anos, o setor da construção civil em São Paulo passou por uma grande transformação, por conta da industrialização de vários processos e pela racionalização no uso de materiais. “Ainda assim, é importante assegurar a origem da madeira utilizada”, disse.
“Entendemos que, com o curso, possamos definitivamente abrir caminhos para que cada vez mais empresas construtoras possam ter acesso à correta informação e metodologia que lhes garantam a correta aquisição da madeira”, explicou Lílian.
Próximos encontros
Este workshop foi o primeiro de uma série de encontros já agendados entre os participantes da iniciativa. Os próximos módulos vão tratar, entre outros assuntos, de temas como o papel do governo na promoção da cadeia sustentável da madeira, o Documento de Origem Florestal (DOF), maneiras de como avaliar o plano de trabalho, perfil de fornecedores e como fazer a aferição da origem da madeira. As próximas reuniões estão marcadas para os meses de julho, agosto e outubro.
O curso Aquisição Sustentável de Madeira na Construção Civil faz parte de um projeto mais amplo, desenvolvido pelo WWF-Brasil, em parceria com a Rede Amigos da Amazônia e a Comunidade Europeia.
Este projeto é intitulado “Governança Florestal e Comércio Sustentável da Madeira Amazônica” e tem como objetivo contribuir para que o manejo florestal e o comércio da madeira ocorram de forma sustentável até o ano de 2020. Para isso, o projeto busca implementar, juntos aos órgãos públicos responsáveis, políticas e procedimentos que regulem a produção e comércio deste recurso.
Fonte: Felipe Rick, da Rede Amigos da Amazônia

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